Muitas empresas já retornaram ou estão se organizando para a retomada ao trabalho presencial pós-pandemia. É inevitável se perguntar: e agora, o que será que de fato mudou ou vai mudar nas organizações e no trabalho, após essa experiência que foi um divisor de águas em nossas vidas?

Com a vivência desse desafio tão marcante, alguns fatores contribuíram para gerar expectativas de mudança no mundo do trabalho.

Primeiramente, o fato do vírus ameaçar indiscriminadamente todos os seres humanos, evidenciou a condição de semelhança entre nós, em relação aos sentimentos de fragilidade e insegurança, o que fez com que em maior ou menor grau, todos pudessem exercita a empatia. Agora, há uma maior compreensão do que antes, sobre a interdependência nas relações e sobre os dilemas e atitudes essenciais que regem a vida em comunidade. Eu diria que em algum nível, avançamos na nossa capacidade de se colocar no lugar do outro.

O cenário de vulnerabilidade e empatia tende a fomentar a cooperação, a relação de parceria e uma atuação mais humana. É estranho e redundante falar “mais humana”, se afinal, é o que somos. No entanto, sabemos que por décadas nossa interação no ambiente corporativo se assemelhou mais com o comando e controle do universo das máquinas, do que com as relações humanas que pressupõem sensibilidade e afeto.

Outro aspecto relevante, evidente no panorama pré-pandemia era a corrida desenfreada pelo resultado ou atingimento de metas e indicadores, que nutriam ambientes competitivos e explicitavam a dificuldade das equipes de atuarem de maneira integrada e sistêmica, fazendo com que na prática ainda prevalecesse a cultura do “cada um no seu quadrado” e “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Um fator que tende a influenciar cada vez mais na transformação do cotidiano e “modus operandi” das empresas, é a atenção à saúde mental dos colaboradores, ocasionando um novo posicionamento em relação ao bem-estar das pessoas no trabalho. Não dá mais para ignorar que a qualidade do relacionamento, especialmente entre líderes e liderados, bem como, a cultura e o estilo de gestão, influenciam diretamente na saúde emocional dos profissionais e consequentemente, no engajamento e na produtividade.

Um efeito positivo que a pandemia trouxe para o espaço empresarial, foi a ampliação da consciência em relação a relevância da saúde mental e das competências socioemocionais, em especial, a adaptabilidade e as habilidades para lidar de maneira positiva e inteligente com as emoções. Além disso, empresários e gestores estão percebendo que o bem-estar no trabalho passou a ser um dos principais fatores de competitividade do negócio.

Recentemente, durante um treinamento que eu ministrava para os líderes de uma instituição financeira, um deles relatou que a possibilidade de se trabalhar remotamente para empresas de qualquer lugar do mundo, tornou a concorrência ainda maior no que se refere a atração e retenção de talentos, e confessou, que estava com receio de perder pessoas do seu time para empresas que priorizam o investimento na experiência positiva do colaborador. É fato!

Mesmo que empresários não invistam em saúde e bem-estar por questão de consciência e responsabilidade social, acabarão tendo que fazê-lo por sustentabilidade do negócio. De todo modo, temos todos a ganhar com essa decisão estratégica.

Então, podemos concluir que sim, estão ocorrendo transformações positivas no ambiente corporativo após a pandemia, mas não vamos romantizar o cenário! As mudanças são lentas, graduais e variam bastante de acordo com a realidade diversa das empresas e com o nível de consciência dos envolvidos.

E você, já observou qual foi a sua evolução pessoal com a pandemia? Que melhorias você tem a oferecer no ambiente de trabalho após esse desafio que oportunizou amadurecimento e autodesenvolvimento para todos nós?

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