Há um ano, em 1º de dezembro de 2020, um dos elementos que registram a transformação urbanístico-espacial de Salvador foi tombado pela Prefeitura. A Maquete de Salvador permite que o soteropolitano admire a topografia e elementos simbólicos da cidade. Feita integralmente de forma artesanal, a obra faz parte do patrimônio da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) desde 2017 e está abrigada na sede do órgão, no Edifício Roosevelt, no Comércio, defronte ao Mercado Modelo.

A construção da maquete ou modelo reduzido, como também é chamada, teve início na década de 1970 pelo arquiteto Francisco de Assis Couto Reis. O projeto foi dividido em quatro etapas. A última, que compreende a região do Subúrbio Ferroviário e Cajazeiras, foi finalizada no ano anterior. Para que esta etapa fosse construída, os profissionais da FMLF usaram como referência uma base cartográfica de 2016 contendo imagens aéreas, mapas e outros recursos disponibilizados pela Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz).

Mas se engana quem pensa que a maquete, por ter sido iniciada há tanto tempo, não apresente novidades. O modelo reduzido possui atualização permanente e acompanha o desenvolvimento da cidade. A atualização na parte mais antiga da capital é mais pontual e conta com revisões das novas construções e das áreas públicas que foram modificadas, além da manutenção para preservação.

Já nas áreas onde houve maior transformação e expansão nos últimos anos, o trabalho de atualização se torna mais frequente. Uma das observações que podem ser feitas ao comparar ambas as áreas da cidade é que elas apresentam um contraste grande de densidade.

A Fonte Nova, por exemplo, foi retirada e substituída pela Arena Fonte Nova. O antigo shopping Aeroclube também já foi retirado da maquete e a área foi remodelada para abrigar o Centro de Convenções e o Parque dos Ventos. As representações mais significativas são guardadas como documento no arquivo da fundação.

De acordo com a titular da FMLF, Tânia Scofield, o modelo reduzido possui um valor inestimável para a capital. “É importante não apenas porque conta a história da cidade, como é também um excelente instrumento para o planejamento urbano. É uma maquete na escala de 1:2000 que traz com clareza a cidade reduzida, oferecendo aos moradores e visitantes a compreensão da cidade como um todo, seus diversos bairros, pontos de interesse e sua história. Talvez seja única no Brasil”, destacou.

Maquete permite que o soteropolitano admire a topografia e elementos simbólicos da cidade (Fotos: Otávio Santos/Secom)

Manutenção e modificações

Para fazer o restauro e atualização da maquete, os materiais usados são a cortiça, usada para a concepção da topografia; madeira bálsamo, material macio e usado para a modelagem dos itens; e lixas d’água para fazer as vias públicas e outros elementos pontuais. Além de serem materiais relativamente baratos, os elementos são fáceis de encontrar e de manter o padrão estético.

Já as ferramentas para manipulação dos materiais são as mais simples possíveis: bisturi, estilete e gilete. Todo material é colado na base com cola branca, recurso apropriado para madeira e que permite ajustes durante a aplicação.

A maquete é constituída por 104 módulos que totalizam 100,50 metros. Por ser tão extensa, a Prefeitura busca um espaço físico que a comporte totalmente montada para ser disponibilizada em exposição permanente. No momento, a visitação é permitida para pequenos grupos, mediante agendamento através do telefone (71) 3202-9949.

Tombamento

O processo de reconhecimento da Maquete de Salvador como patrimônio cultural e histórico da cidade agregou o parecer técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), datado do dia 6 de outubro de 2020. O documento foi agregado ao processo 306/2020, aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Matos (FGM). A aprovação do tombamento está inscrita no Livro de Tombamento dos Bens Móveis e Coleções, conforme processo FGM 558/2020.

Registros fotográficos da cidade

Quando a primeira etapa da maquete foi construída só havia como recurso de referência a fotografia. As imagens usadas como parâmetro para construir a maquete naquela época estão armazenadas atualmente na biblioteca da FMLF, que também funciona no Comércio. Parte destas das imagens já foi digitalizada e está disponível para consulta pública no site da Fundação, no endereço biblioteca. fmlf. salvador. ba. gov. br . O acervo é composto por imagens de Salvador datadas nas décadas de 1970 e 1980.

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