Com pandemia, setor cultural baiano perdeu 47 mil empregos

No ano passado, havia 218 mil pessoas ocupadas no setor cultural da Bahia (Foto: Divugação) (Foto: Pedro Moraes/GOVBA)

Entre 2019 e 2020, o mercado de trabalho na Bahia viu o número de pessoas ocupadas ter uma queda recorde e chegar a seu menor patamar desde 2014. Nas atividades ligadas à cultura não foi diferente, mas a perda de trabalho foi ainda intensa nesse setor. No ano passado, havia 218 mil pessoas ocupadas no setor cultural baiano. Esse grupo encolheu 17,6% (menos 47 mil trabalhadores) frente a 2019, quando 265 mil pessoas estavam ocupadas em atividades ligadas à cultura, no estado. Os dados são do Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2020, divulgado hoje (8) pelo IBGE.

Considerando-se toda a população ocupada na Bahia, houve recuo de 14,1% entre 2019 e 2020, com o total de trabalhadores no estado passando de 5,9 milhões para 5,1 milhões (menos 839 mil pessoas em um ano).

A combinação desses dois movimentos fez a participação da cultura na geração de trabalho na Bahia ter uma discreta redução, de 4,4% para 4,3% do total de ocupados, entre 2019 e 2020.

Ocupação no setor cultural é mais feminina e escolarizada

Entre as pessoas ocupadas no setor cultural, na Bahia, em 2020, a maior parte eram mulheres (57,6%); pessoas pretas ou pardas (80,1%); de 30 a 49 anos de idade (52,1%); com ensino médio completo ou superior incompleto (60,4%); e que estavam na informalidade (60,7%).

Na comparação com o total de ocupados no estado, o perfil dos trabalhadores da cultura se distinguia por ser bem mais feminino – elas eram 57,6% na cultura, frente a 41,5% do total de pessoas ocupadas – e escolarizado: 79,8% dos trabalhadores da cultura tinham ao menos o ensino médio completo, frente a 59,1% dos ocupados em geral. Era, porém, mais marcado pela informalidade do que a média: 60,7% dos que trabalhavam na cultura eram informais, frente a 51,2% no total de ocupados.

A alta informalidade certamente contribuía para que os trabalhadores do setor cultural tivessem um rendimento médio mensal mais baixo do que o total de ocupados no estado: R$ 1.246 frente a R$ 1.782 (-30,1%).

E, apesar de serem minoria entre os trabalhadores do setor cultural baiano, os homens ganhavam, em média 41,7% a mais que as mulheres: R$ 1.499 frente a R$ 1.058. A desigualdade salarial por sexo era bem mais expressiva nas atividades da cultura do que entre os trabalhadores em geral: no total de ocupados no estado, os homens ganhavam 28,2% a mais que as mulheres (R$ 1.957 frente a R$ 1.526).

A diferença do rendimento por cor ou raça quase não existia entre os trabalhadores da área cultural na Bahia. Nesse setor, brancos ganhavam em média R$ 1.237, e pretos ou pardos, R$ 1.230. Considerando o total de ocupados, os pretos ou pardos ganhavam, em média, 42,2% menos do que os brancos (R$ 1.567 frente a R$ 2.710).

O rendimento médio dos trabalhadores da cultura na Bahia (R$ 1.246) era, em 2020, o quarto mais baixo do país, superando apenas os registrados em Alagoas (R$ 1.087), Piauí (R$ 1.135) e Maranhão (R$ 1.243). Os maiores rendimentos estavam em São Paulo (R$ 3.420), Distrito Federal (R$ 3.398) e Rio de Janeiro (R$ 3.037).

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