Especialistas recomendam a volta do horário de verão no país

Medida seria importante para reduzir consumo de energia elétrica e evitar ameaça de “apagão” (Foto: Renato Araújo/ABr)

Agência EY

A volta do horário de verão tem sido apresentada como uma das propostas viáveis para redução no consumo de energia elétrica e evitar o colapso no abastecimento, por causa da crise hídrica. Suspenso em 2019 por determinação do presidente Jair Bolsonaro, agora o governo federal, por meio do Ministério das Minas e Energia (MME), avalia novamente se compensa ou não adotar o adiantamento em uma hora nos relógios durante os meses de verão. Novos estudos nesse sentido estão sendo realizados pelo MME, mas ainda não há uma decisão sobre o tema.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios de água que abastecem as usinas hidrelétricas instaladas no país já operam com nível médio abaixo dos 20% de água, situação pior que na época do “apagão”, em 2001. Diante disso, de acordo com os especialistas, são recomendadas todas as medidas necessárias que estimulem a redução do consumo e evite os picos do sistema, que ocorrem com a alta da demanda.

Entidades como a Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica (ABCE) também já se posicionaram de maneira favorável ao possível retorno do horário de verão, principalmente para evitar os “picos” de consumo no sistema. Em declarações recentes à imprensa, o diretor-presidente da ABCE, Alexei Vivan, afirmou que, diante do cenário atual de escassez de recursos hídricos, “toda ajuda é bem-vinda”.

“O horário de verão ajuda muito e deveria ser adotado novamente. Mesmo que a economia seja em torno de 1%, que é considerado pouco por muitos, esse índice vai ajudar muito a reduzir a pressão sobre o sistema durante a escassez hídrica que estamos atravessando. Acho importante o horário de verão, pois além da economia, mesmo que pequena, há uma questão de conscientização, se houver a correta comunicação para a população”, afirma André Flávio, diretor-executivo do setor de energia da EY.

O consultor lembra que, em 2020, não se falava tanto em risco de racionamento porque havia excesso de energia e houve uma retração na demanda, em decorrência da pandemia. “Como o consumo caiu durante a pandemia, os reservatórios não estavam em situação tão crítica e havia excesso de oferta advindas de outras fontes, além das hídricas, no mercado de energia”, explica.

De acordo com o especialista, algumas razões explicam a nova crise energética. Uma delas é o fato de muitas usinas hidrelétricas brasileiras – principal matriz energética do país – não possuírem reservatórios de água plurianuais, ou seja, que conseguem armazenar água suficiente para as operações de um ano para outro, mesmo em períodos de estiagem. “A usina de Belo Monte, por exemplo, não guarda água para o período seco”.

Além de recomendar a volta do horário de verão, André Flávio fornece orientações para os consumidores economizarem energia em casa. Uma delas é revisar todo o sistema elétrico e substituir as lâmpadas tradicionais por outras de tecnologia LED, muito mais econômicas. Além disso, é necessário reduzir a utilização de aparelhos elétricos que aquecem a água que consumimos, como os chuveiros elétricos, cafeteiras, fornos e fogões elétricos e de micro-ondas. “Uma das maneiras mais eficientes de reduzir o consumo é utilizar outras fontes para aquecimento de água e alimentos”, argumenta André Flávio.

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