Estamos vivendo um dos momentos mais complexos da história. As instensas transformações, o cenário de incerteza e a falta de previsibilidade dispararam em nós a sensação de fragilidade e de falta de controle. Evidenciou-se o nosso despreparo em lidar com o novo e a falta de habilidade em navegar em mares desconhecidos. Existem algumas razões que explicam essas dificuldades. O cérebro humano adora uma certeza, pois busca economizar energia e se desempenha melhor quando pode prever as coisas e proteger o indivíduo de ameaças para garantir a sua sobrevivência. Além disso, culturalmente, desde o século XVII, nosso modus operandi é influenciado pelo pensamento mecanicista, aquele que enxerga o mundo composto por objetos, funcionando como uma grande máquina, cujos fenômenos possuem causalidade mecânica, determinista e linear. No entanto, o mundo mudou tanto desde que o filósofo Descartes formulou essa teoria, que a simplicidade, a estabilidade e a objetividade – pressupostos do mecanicismo – não atendem mais. Vivemos em um universo sistêmico influenciado pela interação entre as partes (objetos) e por forças extrafísicas que escapam ao mecanicismo.

O pensamento mecanicista foi fundamental para grandes descobertas e avanços da ciência e da sociedade, mas contribuiu também para o separatismo, a coisificação e alienação do homem em sua relação com o ecosistema.

Com o surgimento da pandemia estamos vivendo o ápice da revolução sistêmica – tempo de implementação da consciência sistêmica da humanidade. Esse é um grande marco na história, que revela uma mudança planetária, da necessidade de migração do valor do individualismo para o coletivismo. E o que essa transformação impacta em sua vida e carreira? Em simplesmente tudo, a começar pela consciência que você possui sobre si mesmo, como faz suas escolhas, a maneira que se relaciona e se posiciona diante dos conflitos e desafios que a vida apresenta.

A vida é composta por sistemas – corpo humano, família, empresas, escolas…, partes que interagem de forma organizada entre si e que se influenciam mutuamente. Tudo está conectado, portanto é verdadeiramente importante orientar nossos pensamentos para a elaboração de estratégias e ações, que busquem beneficiar a todos ao nosso redor e não apenas a nós mesmos.

O pensamento mecanicista foi fundamental para grandes descobertas e avanços da ciência e da sociedade, mas contribuiu também para o separatismo, a coisificação e alienação do homem em sua relação com o ecosistema

No mundo corporativo a valorização e a busca por soluções colaborativas e sistêmicas também estão aumentando significativamente, o que aciona a necessidade de desenvolver um novo olhar, um olhar analítico e inovador, assim como, habilidades específicas, como empatia, escuta ativa, adaptabilidade, criatividade e capacidade de interagir positivamente com a diversidade. Somente sendo capazes de respeitar, acolher e compreender realidades diferentes das nossas, poderemos produzir soluções de valor para a sociedade.

A apropriação e prática do pensamento sistêmico também contribui efetivamente para a sustentabilidade dos negócios, ao trazer como benefícios, a capacidade de enxergar a empresa como um todo e atuar de maneira integrada; a assertividade nas tomadas de decisão; a visão e a priorização do que realmente importa; a habilidade de enxergar e compreender as necessidades dos clientes internos e externos e a capacidade de inovação.

É importante considerar que para colocar em prática o pensamento sistêmico é necessário migrar do controle para a confiança e cooperação; da mera quantidade para a qualidade; dos objetos para os relacionamentos; da hierarquia para as redes; da causalidade linear para a circularidade.

Temos grandes aprendizados a serem consolidados e o maior deles talvez seja abandonarmos o paradigma de privilegiar as partes em detrimento do todo, de abrirmos mão do conforto do individualismo para a grandeza do coletivismo.
E você, tem se preparado para essas transformações?

 

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