Recuperação nas vendas anima empresários, porém a inflação e a nova variante Delta podem limitar as expectativas (Foto: Rovena Rosa/Ag. Brasil)

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) voltou ao patamar de otimismo, o que não era visto desde dezembro do ano passado. Em agosto, o índice superou novamente o patamar dos 100 pontos e alcançou os 101,6 pontos, alta mensal de 6,8%. Na comparação com igual período de 2020, a elevação é ainda mais expressiva, de 47,6 pontos, quando o Icec  estava nos 68,8 pontos.

O consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, diz que todos os três subíndices registraram crescimento neste oitavo mês de 2021.  “O destaque vai para o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) que passou dos 69,3 pontos para os atuais 77,9 pontos, crescimento de 12,4%. E no ano passado, o Icaec estava em 26,9 pontos, ainda naquele momento crítico da pandemia com restrições severas de funcionamento e circulação”, sinaliza o economista.

A Fecomércio-BA mostrou o balanço de vendas no mês de junho no Estado, com alta de 24,4% em relação ao mesmo período de 2020 e de 11,3% quando comparado com o mesmo mês de 2019. Além disso, a tendência positiva está na maioria dos setores do comércio, o que é um alívio para os comerciantes que tentam recompor as perdas da pandemia.

“E os empresários estão mais otimistas em relação ao seu próprio negócio agora. O que é um sinal importante quando se projeta o médio e longo prazo”, pontua Dietze. Tanto que o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) avançou 4,5% e ampliou o nível de otimismo para os 139,1 pontos, em agosto. A confiança também é maior quando se avalia o seu próprio negócio para os próximos meses.

“Confiante de um futuro melhor e recebendo, de fato, mais consumidores, será necessário ampliar o quadro de funcionários e de investimentos”, comenta o consultor econômico.

O Índice de Investimentos do Empresário do Comércio (IIEC) confirma esta tendência ao atingir 87,8 pontos, alta mensal de 6%. Embora esteja no patamar pessimista, o subíndice de contratação chega aos 120,1 pontos, ou seja, a maioria (62%) dos entrevistados afirmaram que devem aumentar pelo menos um pouco o quadro de funcionários.

E sobre os estoques, com a melhora nas vendas nos últimos meses, houve também queda no número dos que respondem que o estoque está acima do adequado. Esse resultado é importante para pensar em liberar o estoque para abrir espaço para os produtos de vendas de final de ano, na Black Friday e Natal.

Preocupação

“De maneira geral, o Icec  tem indicado um empresário mais otimista. No entanto, é importante ressaltar que por mais que haja uma melhora na vacinação, a nova variante do coronavírus, a Delta, tem assustado e ligado o alerta dos gestores públicos. Ainda é incerto o que irá acontecer, mas o menos desejável é que haja novas restrições de funcionamento, pois o comércio sofreu demasiadamente desde o início de 2020”, destaca Dietze.

Além disso, o economista comenta que a inflação tem sido uma perturbação para consumidores e empresários. “Alguns já veem uma redução do consumo pela perda do poder de compra. E os custos aumentando, diminuindo a margem de lucro, deixarão ainda mais desafiador o cenário para os empresários”, finaliza Guilherme Dietze.

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