Sete em cada dez famílias de Salvador estão endividadas

A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), elaborada pela Fecomércio-BA, registrou mais um aumento na taxa de endividados e renovou o recorde de nível mais elevado desde julho de 2013. Em agosto, o percentual foi de 71% ante os 68%, 2% do mês anterior e bem acima dos 66,3% vistos no mesmo mês do ano passado.

O endividamento em Salvador vem subindo desde abril, quando a taxa estava em 59,1%. Em termos absolutos, houve um aumento de 112 mil famílias que contraíram dívidas em apenas cinco meses, chegando ao total atual de 661 mil famílias que possuem algum tipo de dívida.

“Importante ressaltar que o endividamento é quando o consumidor faz uma compra no cartão, por exemplo, e precisa pagar a fatura na data do vencimento. A inadimplência é quando essa fatura não foi paga no vencimento, então se torna uma dívida em atraso ”, esclarece o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

E a inadimplência tem preocupado o comércio. A taxa de agosto foi de 30,2%, superior aos 27,8% registrados no mês anterior, porém, ligeiramente abaixo dos 30,8% vistos em agosto de 2020.  “São 281 mil famílias na capital baiana com atrasos nas dívidas, um crescimento de 66 mil nos últimos cinco meses. Ou seja, 60% dos novos endividados não consegue quitar o compromisso na data de vencimento”, destaca o economista.

Já a situação daquelas famílias que dizem que não precisa   pagar a dívida em atraso está, de determinada forma, controlada. A taxa em agosto foi de 8,6%, praticamente estável em relação a julho e bem abaixo dos 13,3% de agosto de 2020. A explicação pode estar nas renegociações e realização de feirões que ajudam os consumidores, que estão há um tempo com contas em atraso, a equilibrarem as contas.

O principal tipo de dívida continua sendo o cartão de crédito com 91,8% dos endividados, nada muito diferente do visto em julho (92,4%) e de agosto do ano passado (91%). Uma nova ressalva, esses endividados no cartão são pessoas que estão gastando nesta modalidade, mas não necessariamente estão com uma fatura em atraso.

CARNÊS EM ALTA

Mas o que chama a atenção, em agosto, foi o percentual de famílias endividadas nos carnês, com 13,3%, maior percentual desde abril de 2010. Entre maio e julho, o patamar estava pouco acima dos 10% e avança agora para a casa dos 13%. “Os carnês se tornam uma saída para manter o consumo, pois são relativamente menos burocráticos que os empréstimos dos bancos e são negociados diretamente com as redes varejistas”, justifica Dietze.

E mesmo com o avanço do endividamento, um dado que certa traz tranquilidade é o percentual da renda comprometida com a dívida. Em agosto esta relação foi de 32,2%, não há patamar muito saudável de 1/3 que é o recomendável para as famílias ainda terem espaço para as contas do dia a dia e do consumo com renda própria.

“O problema é que o cenário está incerto, com problemas internacionais, econômicos e políticos, e ainda tem o ingrediente a mais que são variantes do coronavírus que vão surgindo e gerando dúvidas sobre os seus efeitos na economia”, contextualiza Guilherme.

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