Indústria de transformação baiana encolheu 9% no acumulado de 12 meses

A produção física da Indústria de Transformação da Bahia registrou queda de 9,2% em junho de 2021, no acumulado de 12 meses, ocupando a última posição no ranking dos 14 estados que participam da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física – PIM-PF (PIM-PF). Além da Bahia, registraram desempenho negativo os estados de Goiás (-1,6%); Mato Grosso (-7,3%) e Pará (-8,2%). Entre os melhores desempenhos, destacam-se Espírito Santo (18,7%), Amazonas (17,5%), Ceará (15,2%), Santa Catarina (15,0%), Rio Grande do Sul (12,0%) e Minas Gerais (11,6%).

Na média, a Indústria de Transformação nacional apresentou crescimento de 7,7%. Em relação à Indústria de Transformação baiana, cinco dos 11 segmentos analisados apresentaram queda: Veículos automotores (-50,2%), Metalurgia (-20,1%), Refino de petróleo e biocombustíveis (-17,9%); Equipamentos de Informática (-9,9%) e Celulose e papel (-1,0%). Em sentido contrário, registraram crescimento os segmentos de Produtos Químicos (18,6%), Couro e Calçados (13,3%), Borracha e Plástico (12,9%), Bebidas (11,2%), Minerais não metálicos (4,1%) e Alimentos (1,4%).

O gerente executivo de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Marcus Verhine, atribui o fraco desempenho da indústria baiana à suspensão das atividades da Ford, que tinha uma participação importante nos dados regionais e também à parada para manutenção da Refinaria Landulfo Alves (RLAM). Em contraponto ele destaca os setores calçadista e a indústria química que registraram bom desempenho no período.

Apesar dos dados apontarem queda no desempenho industrial baiano, Marcus Verhine acredita que a Bahia deve fechar o ano com um crescimento projetado do Produto Interno Bruto da ordem de 4,6%.

JUNHO 2020 X JUNHO 2021

Na comparação de junho de 2021 com igual mês do ano anterior, a produção física da Indústria de Transformação baiana caiu 8,5%, enquanto a indústria nacional cresceu 13,1%. Apresentaram retração os segmentos de Veículos automotores (-77,7%), Celulose e Papel (-52,5%), Metalurgia (-18,2%).

O segmento de Refino de petróleo e biocombustíveis, que representa 31,0% do valor de transformação industrial (VTI) da Indústria de Transformação baiana, registrou queda expressiva de 13,1%. Outras quedas expressivas registradas na pesquisa foram nos segmentos de Minerais não metálicos (-11,1) e Bebidas (-7,7%).

Na contramão destes resultados, registraram crescimento na produção os segmentos de Equipamentos de Informática (92,9%), Couro e Calçados (78,9%), Produtos Químicos (12,6%), Alimentos (9,4%), Borracha e Plástico (7,5%).

ACUMULADO DE 2021

No acumulado do primeiro semestre de 2021, a produção física da Indústria de Transformação baiana caiu 16,4% (maior queda entre os 14 estados), enquanto a indústria nacional cresceu 14,5%. A referida queda decorreu do resultado dos setores de Veículos automotores (-93,3%, encerramento da produção no complexo Ford Camaçari), Refino de petróleo e biocombustíveis (-37,4%, ocorrência de parada para manutenção que afetou a produção de óleos combustíveis, óleo diesel, naftas para petroquímica, parafina, gás liquefeito de petróleo), Metalurgia (-11,9%, barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre, ferromanganês e ouro em formas brutas para usos não monetários), Celulose e Papel (-6,2%, pastas químicas de madeira, processo sulfato, branqueadas ou não).

Em sentido contrário, apresentaram crescimento: Couro e Calçados (46,7%), Borracha e plástico (27,3%), Produtos Químicos (20,0%), Equipamentos de Informática (11,3%), Minerais não metálicos (8,3%), Bebidas (7,5%) e Alimentos (0,6%).

A Indústria de Transformação baiana continua a registrar em junho o pior resultado do país, no acumulado de 12 meses (-9,2%) e no primeiro semestre de 2021 (-16,4%). Os referidos resultados estão sendo influenciados pelo encerramento das atividades do complexo Ford Camaçari, que anulou a produção do que se tratava o quinto maior setor industrial do estado, com 5,0% do VTI da Indústria de Transformação, bem como por parada para manutenção ocorrida na RLAM que provocou redução expressiva na produção do setor de refino na primeira metade do ano (31,0% do VTI da Indústria de Transformação baiana).

PERSPECTIVAS

Para 2021, o mercado continua a estimar uma recuperação econômica, com a flexibilização das medidas de isolamento, avanço da vacinação e, consequente, controle da pandemia. O setor produtivo do país também espera a continuidade da agenda de reformas estruturais, com destaque para a Tributária e Administrativa. Conforme as últimas informações do Banco Central (relatório Focus de 06/08/2021), as expectativas de mercado para o ano são de inflação (IPCA) de 6,88%; crescimento de 6,47% da produção industrial e crescimento de 5,30% no PIB.

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