Conta de luz pesa, e inflação na RMS em julho é a maior para o mês desde 2016

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial da inflação, calculado pelo IBGE, ficou em 0,75% na Região Metropolitana de Salvador (RMS) em julho. Houve uma segunda desaceleração seguida em relação à taxa do mês anterior (o IPCA havia sido de 0,86% em junho e de 1,12% em maio), mas foi a maior inflação para um mês de julho na RMS desde 2016, quando o índice havia ficado em 0,92%.

O índice da RMS ficou abaixo do registrado no país como um todo, onde a inflação acelerou para 0,96%. Foi ainda o 5º mais baixo dentre as 16 áreas investigadas separadamente pelo IBGE. Em julho, a inflação foi mais alta nas RMs Curitiba/PR (1,60%), Porto Alegre/RS (1,23%) e São Paulo/SP (0,98%). No outro extremo, o IPCA ficou mais baixo em Aracaju/SE (0,53%), na RM Rio de Janeiro/RJ (0,63%) e em Rio Branco/AC (0,66%).

Com o resultado do mês, o IPCA na RMS tem alta de 4,91% no acumulado de janeiro a julho de 2021. A inflação acumulada no ano está acima da nacional (4,76%), supera a de 2020 (4,31%) e já é a maior para um ano desde 2016, quando o IPCA fechou, em dezembro, com uma alta de 6,72%.

Nos 12 meses encerrados em julho, a inflação na RMS  ficou em 7,98%. Seguiu acelerando em relação aos 7,84% registrados nos 12 meses encerrados em junho, embora ainda se mantenha abaixo do acumulado no país como um todo (8,99%).

Energia segue pressionando 

Dentre os nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA, cinco apresentaram altas em julho, na Região Metropolitana de Salvador. Com o maior aumento, o grupo habitação (2,44%) também exerceu a principal pressão inflacionária no mês.

Foi puxado, sobretudo, pela alta da energia elétrica (6,13%), que teve importante aceleração frente a junho (quando havia aumentado 2,49%) e foi a principal pressão inflacionária individual, sob influência do reajuste de 52% no valor adicional da bandeira tarifária vermelha patamar 2. Com a quarta alta consecutiva, no ano de 2021 a energia já aumenta 10,14%, na RMS.

Além da energia, o gás de botijão (3,96%) também viu seu preço médio aumentar mais em julho do que em junho (2,41%), na RMS, e foi uma pressão importante na inflação do mês. Com três aumentos mensais consecutivos, um maior que o outro, o gás acumula alta de 20,93% de janeiro a julho de 2021.

O segundo maior aumento em julho, na RMS, veio do grupo transportes (1,69%), que também exerceu a segunda principal contribuição para a inflação no mês. As passagens aéreas (21,83%) foram a principal pressão individual no grupo, com o segundo maior aumento dentre as centenas de produtos e serviços pesquisados para formar o IPCA.

A segunda principal influência de alta nos transportes veio da gasolina, item que tem o maior peso na formação do índice de inflação e seguiu aumentando (0,94%), ainda que muito menos que nos meses anteriores. A terceira principal pressão inflacionária no grupo transportes veio do transporte por aplicativo, que teve, em julho, o maior aumento dentre os produtos e serviços do IPCA (23,69%).

Apesar de terem desacelerado em relação a junho, os preços dos alimentos também seguiram em alta (0,62%) e pressionando o custo de vida na RMS, em julho. Continuam puxados pela alimentação em casa (0,67%), com destaque para as altas do pão francês (6,71%) e de itens como tomate (13,43%) e açúcar cristal (6,88%).

Por outro lado, vestuário (-0,74%), artigos de residência (-0,60%) e saúde e cuidados pessoais (-0,16%) foram os grupos que mais contribuíram para a desaceleração da inflação da RMS em julho.

Sob efeito do primeiro reajuste negativo autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde a sua criação, os planos de saúde (-1,31%) foram, individualmente, a principal força de contenção da alta do IPCA no mês.

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