Cláudio Carvalho é presidente da Morya, uma das mais tradicionais agências da Bahia (Foto: Ulisses Dumas)

Completar 65 anos em um mercado volátil como o de agências de publicidade – superando inúmeras crises econômicas, trocas de governos e de moedas e a onda de fusões e aquisições, que modificaram rapidamente o cenário deste segmento – é um feito raro no Brasil de hoje. Este seleto patamar foi atingido neste sábado (10) por um grupo baiano: a Morya. A agência fundada em 1956 por Otávio Carvalho, com o nome de Publivendas, completou seis décadas e meia de existência colecionando prêmios, trabalhos de excelência, clientes importantes e o que é melhor: segue como uma referência, se reiventando e formando mais e mais profissionais talentosos.

Com sede em Salvador e uma unidade de negócios em Recife, a Morya é presidida  pelo publicitário Cláudio Carvalho. Importantes contas estão na carteira de clientes do grupo como o Governo da Bahia, Salvador Shopping, Salvador Norte Shopping, Coelba, Celpe, Credcesta, Grupo Lemos Passos, Ferreira Costa, dentre tantas outras.

A agência foi fundada por Otávio Carvalho, tio de Cláudio Carvalho. Logo na sequência, ingressaram no negócio Gilda Carvalho e Fernando Carvalho (pai de Cláudio). Fernando foi o  grande líder da agência. Ele também foi o fundador da seccional  baiana da Associação Brasileira de Agências de Publicidade na Bahia (Abap-BA), há 42 anos, e também o seu primeiro presidente.

Mas não foi fácil chegar até aqui, sobreviver e ser uma referência no mercado nacional. Nesses 65 anos, foram sete mudanças de moeda, democracia, regimes militar, redemocratização do país, a industrialização, a TV, confisco da poupança, a internet, pandemia…Ufa!

“Nossa empresa viu foi muita coisa e se manteve firme e vencedora porque não mudamos os valores, a escolha pela criatividade e o entendimento de que o certo é o certo”, afirma Cláudio.“Ele [Fernando Carvalho] projetou a Publivendas para o patamar das maiores agências de publicidade do país e deixou como legado a solidez da reputação. Aonde eu chego é assim: é filho de Fernando Carvalho, então tem portas abertas”, escreveu Cláudio, em um artigo publicado no jornal A Tarde no final do ano passado. “Fazer uma agência de publicidade na Bahia tem uma diferença especial, porque a criatividade brasileira nasceu aqui, é a criatividade made in Bahia”, continuou ele.

Em 2004, perto dos 50 anos, a agência mudou de Publivendas para Morya. Em 2011, passa a ter como sócio o ABC, a maior grupo de agências de comunicação da América Latina, do baiano Nizan Guanaes. Em 2019, Claudio volta a controlar a empresa da família e torna-se o único sócio da Morya. E, nesse mesmo ano, conquista contas importantes e retoma mais uma frente de mercado, com a Morya no Recife.

Nossa empresa viu foi muita coisa e se manteve firme e vencedora porque não mudamos os valores, a escolha pela criatividade e o entendimento de que o certo é o certo

Em um texto públicado no site da Morya, Cláudio diz que a agência chega aos 65 anos sob a inspiração do DNA Fernando Carvalho e dos três Cs que sempre fizeram parte da história do grupo: consistência, consciência e criatividade. “Foi com a união desses três pilares que a Morya cresceu e continua crescendo, se transformou e continua se transformando, inovou e continua inovando. Ou, como diria Fernando Carvalho, nosso farol e grande líder, ‘continua mudando sempre para continuar sendo sempre a mesma’”, afirmou o publicitário.

Pandemia

Nesses tempos de pandemia, de queda brusca da atividades econômica, com reflexos diretos nas agências de publicidade, Cláudio Carvalho diz que as agências baianas, de um modo geral, sempre estiveram juntos dos clientes na “alegria e na tristeza”. Segundo ponto importante, diz ele, foi o desenvolvimento de processos, pessoas e de ações para o ambiente digital. Ele conta que no caso da Morya cerca de 40% do quadro operacional, das áreas de criação, mídia e atendimento, tem hoje formação digital.

“Tivemos 30 dias durissimos nesta segunda onda da pandemia. Mas as agências de um modo geral têm se reiventado, não tenho notícias de demissões em massa, relevantes. As agências estão firmes, mantendo dentro do possível suas equipes. Temos à crença de que as coisas vão melhorar com a intenficação da vacinação”, afirmou. “Resiliência é uma das palavras que podem resumir o enfrentamento da pandemia. Essa habilidade, que pessoas e empresas precisaram exercitar para conseguir atravessar um ano completamente atípico, deve permanecer conosco para que continuemos a avançar”.

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