Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Em tempos de crise em que se exige tantas adaptações e reinvenção, é bem provável que isso tenha ocorrido há pouco tempo. No entanto, me refiro a algo que você tenha feito pela primeira vez por escolha própria, não por demanda ou imposição externa. Realizar algo inédito frequentemente é um bom indicador de capacidade de responder ao novo e de lidar com a imprevisibilidade, habilidades essas cada vez mais requeridas para se harmonizar com o mundo que está em construção, e que tem feito muita gente indagar sobre a sustentabilidade da própria carreira.

Do ponto de vista de empregabilidade no presente e no futuro do trabalho, uma carreira sustentável é composta de valores éticos e três tipos de competências – técnica, tecnológica e socioemocionais. Pela perspectiva pessoal valoriza-se também autorrealização, reconhecimento financeiro, equilíbrio e bem-estar, como pilares de sustentação da carreira. Portanto, ao refletir sobre a própria carreira é recomendável que se faça a pergunta: o que realmente importa? E identificar o que se considera fundamental alcançar na trajetória profissional, bem como, os anseios relacionados a qualidade do percurso e a maneira de caminhar. Não basta mirar apenas a linha de chegada, projetando a felicidade no futuro, no depois que conquistar esse ou aquele resultado. Negligenciar a caminhada do dia a dia pode levar a frustração e exaustão, fazendo com que o indivíduo perca fôlego e energia para seguir até seu objetivo. Pensar no trajeto é pensar na rotina profissional e no cotidiano pessoal que impactam na saúde e estilo de vida. Como é a vida que você quer e está disposto a levar?

Ao responder a essas questões, deve-se ter cuidado para não levar em consideração apenas o que a mente, contaminada pelas influências e expectativas sociais, pensa. Consulte e ouça seu coração. Isso significa, dar importância a sua essência e singularidade, ao detectar os desafios profissionais que lhe dão entusiasmo e que estão alinhados com o que há de melhor em seu perfil, assim como, observar suas necessidades e prioridades.

Do ponto de vista de empregabilidade no presente e no futuro do trabalho, uma carreira sustentável é composta de valores éticos e três tipos de competências – técnica, tecnológica e socioemocionais

Estudos apontam para o surgimento de uma nova hierarquia de necessidades das pessoas no trabalho, com destaque para: saúde física e mental, bem-estar, aprendizagem intencional, flexibilidade de horário e de local, bem como, poder escolher a combinação entre home office e trabalho presencial.

Segundo o futurista e antropólogo Jamais Cascio, a velocidade da mudança e imprevisibilidade da vida configuram o mundo B.A.N.I – frágil, ansioso, não linear e incompreensível. Nesse panorama que demanda por mais consciência, as pessoas vão buscar cada vez mais um significado maior para tudo o que fazem.

Em 2019, o Fórum Econômico Mundial alertou para a urgência de requalificação e educação digital, a fim de que os profissionais possam ingressar no mercado e se manterem no trabalho. Com a aceleração tecnológica potencializada pela pandemia, existe uma forte tendência de colapso nas áreas de TI e Inovação no período pós-pandemia, devido à falta de mão de obra qualificada. No Brasil, por exemplo, a quantidade de pessoas que se capacitam é menor que o número de vagas abertas na área de TI.

A escassez de talentos e deficiência nos setores de educação e saúde no país, contribuirão para que as empresas assumam novos papéis. Toda empresa deverá se tornar uma empresa de tecnologia, de saúde e de desenvolvimento humano. A liderança do futuro torna-se mais humanizada e consciente de sua vulnerabilidade, o que possibilitará melhor conexão com o time e a promoção de inclusão e segurança psicológica no ambiente de trabalho.

As tendências apontam mudanças significativas, algumas podem ser sentidas inicialmente, como ameaças para negócios e carreiras, mas se vistas por outro ângulo, podem se constituir em grandes oportunidades.

Uma coisa é fato: o futuro que criaremos pode ser um futuro muito mais admirável do que o presente – mais sustentável, igualitário e saudável.

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