Talvez vocês saibam, talvez não, mas depois de preparado, um risoto deve ser consumido o quanto antes. Como ele ainda está quente, seu processo de cocção continua, mesmo durante o trajeto entre a panela e o prato.

Imagina agora se essa distância se torna um pouco maior. Da panela, o risoto é colocado em uma embalagem, que vai para a sacola aguardar a bag de um entregador, que vai para uma portaria de prédio, que é reaquecido, muitas vezes no microondas, e só depois que ele vai ao prato, passados pelo menos trinta minutos do final do preparo.

Lembra da cocção? Sim, o risoto já virou uma papa, ou seja, meio mundo de negócios quebrando por não conseguir se adaptar aos novos tempos do home food.

Este foi e está sendo o grande desafio dos empreendimentos na área de alimentação desde o início da pandemia, principalmente, para os restaurantes. Ninguém esperava que a mesa do cliente ficasse a tanto tempo de distância.

Foi preciso reavaliar o negócio, e como já virou palavra de ordem, reinventar-se. Analisar cada prato do cardápio e criar novas alternativas. Adaptar aqueles que poderiam dar certo e eliminar as preparações que só teriam êxito num modelo que se tornou inviável por conta das medidas restritivas do cenário pandêmico.

O risoto não podia empapar. Mas o negócio delivery tem peculiaridades bem diferentes do negócio presencial. Acaba sendo um modelo bem diferente ao que se tinha como principal gerador de receita.

Com a flexibilização das medidas, surge mais um modelo, meio presencial, meio delivery, mas não necessariamente nesta proporção: o híbrido. Pronto, está feito o estrago. Nem A, nem B. Não há como ser um só por conta das contas a pagar, e ser os dois pode custar caro, se não souber compatibilizar processos.

Tudo muda. Pelo menos muita coisa muda. As horas de trabalho e salários de funcionários necessitam ser ajustados ao novo cenário. O tipo de preparação e o processo produtivo precisam ser estudados e redimensionados. A escolha da embalagem marmita passa a ser de vital importância para a conservação do produto e sua apresentação, agregando tanto valor a ponto de aumentar seu diferencial competitivo. E ainda, só pra lembar, o garçom ganhou as rodas de um motoboy. Misericórdia!

No entanto, em contraponto a este cenário caótico, felizmente há os que buscam e focam nas soluções. Alguns donos de negócios agiram com sapiência. Buscaram se ajustar rapidamente e desenvolveram saídas possíveis, criativas e muitas vezes inimagináveis. Há casos onde eles pediram comida de seu próprio restaurante para serem entregues em suas próprias casas. Pra quê? Pra se colocar no lugar do cliente e saber, na prática, como a comida chegaria e como era consumida.

Isso se chama empatia no consumo. Colocar-se no papel de quem compra seu produto, entender e resolver sua dor, sua necessidade. Ser diferente onde todos buscam ser iguais.

Ainda existe esperança. Os tempos de papa vão acabar, e os de risoto estarão de volta.

Sim, a nossa cozinha tem seu Valor.

Aqui em nossa coluna iremos encontrar uma diversidade de temas, sempre associados à gastronomia, que irão desde receitas e dicas, até reflexões e relatos de vida.

Sou ProfChef CRIS MARCO e desejo a você um fim de semana de Valor.

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