O setor hoteleiro de Salvador registrou, em março, o pior desempenho de sua história. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-BA), a taxa de ocupação das unidades da capital ficou 20,36% no mês passado. Em fevereiro  de 2021, antes das medidas restritivas, o índice foi de 42,51%  e, em março de 2020, 41,02%. Com isso, a diária média também sofreu declínio ficando em R$ 318,88, 10% inferior à do mês anterior. Já o Revpar foi o mais baixo da história no mês de março (R$ 63,69).

Nem mesmo o tradicional aquecimento da demanda dos finais de semana foi capaz de reverter o quadro. A ocupação média de 20,36% apresenta  taxas bem semelhantes para os fins de semana (20,53%) e dias da semana (20,29%), refletindo o renovado receio das pessoas em sair de casa.

Os números  são fruto da Pesquisa Conjuntural de Desempenho (Taxinfo), realizada pela ABIH, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – seções Bahia e Brasil. O levantamento é digital e os dados são fornecidos diariamente pelos hotéis ao Portal Cesta Competitiva. A média resultante constitui indicador para avaliar a evolução da atividade de hospedagem na capital baiana.

Segundo relatório da ABIH, o agravamento do quadro de saúde e, o consequente fechamento das praias, restaurantes e comércio, estão dentre os principais motivos desse desempenho. “Por outro lado, o incipiente movimento de vacinação ainda não foi suficiente para ensejar a desejada reversão na curva da pandemia e a gradual retomada das atividades”, diz a entidade.

Semana Santa

Este é o segundo ano que a pandemia afeta o movimento do turismo na Bahia, na Semana Santa. De acordo com o presidente da ABIH-BA, Luciano Lopes,  em decorrência das medidas restritivas, houve uma queda de 80% para 20% na ocupação de hotéis no feriado, já que muitas reservas foram canceladas. “Em 2020, a gente saia de uma alta estação com bons resultados que permitia aos hotéis enfrentarem a situação. Este ano a pandemia segue cobrando um duro preço para a hotelaria, tendo provocado um faturamento ainda mais reduzido”, explica.

A hotelaria  está entre as atividades mais castigadas pela pandemia. “No curto prazo, esperamos o apoio das esferas municipais, estadual e federal ao segmento do turismo, com a isenção e redução dos impostos, novas linhas de crédito e a reedição da Medida Provisória 936, permitindo a redução da jornada de trabalho e dos salários, e evitando as demissões”, afirma Lopes.

Por outro lado, diz ele, tendo em vista que a Bahia e Salvador vêm apresentando boa dinâmica na vacinação, espera-se que seus efeitos sejam notados no curto prazo, restabelecendo progressivamente o clima de normalidade, abertura de praias, restaurantes e comércio, incentivando as pessoas a viajarem. “Nós hoteleiros somos resilientes, mas a maioria está no seu limite. Se a ajuda não vier no curto prazo a hotelaria baiana entrará em colapso”, finaliza.

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