Fim das atividades da Ford derrubou a produção industrial da Bahia, em fevereiro (Foto: Alberto Coutinho/GOVBA)

A produção industrial da Bahia, em fevereiro,  seguiu em queda (-5,8%) frente ao mês anterior, na comparação com ajuste sazonal.  Foi o terceiro recuo consecutivo para o estado nesse comparativo e o pior resultado para um mês de fevereiro desde 2016 (-15,5%). Em relação a fevereiro de 2020, a produção industrial baiana também teve forte recuo (-20,9%) – o maior do país pelo segundo mês consecutivo e um desempenho muito pior do que o nacional (0,4%). Foi o pior fevereiro para a indústria baiana em geral desde 2015 (-23,0%).

Além de refletir os efeitos econômicos da pandemia, o resultado de fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2020, tem influência determinante do desempenho da indústria automobilística, terceiro segmento mais significativo do setor na Bahia. A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias teve o seu pior mês de fevereiro desde o início da série histórica do IBGE, 18 anos atrás, em 2003, com queda de 97,1% frente à produção de fevereiro de 2020 – reflexo do encerramento das atividades da Ford.

Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a indústria na Bahia cai 9,4%, mostrando o segundo pior resultado dentre os locais pesquisados, acima apenas do Espírito Santo (-14,1%). Nesse indicador acumulado, a produção industrial do Brasil como um todo também recua (-4,2%).

Também na comparação fevereiro 21/fevereiro 20, apenas 5 dos 15 locais investigados pelo IBGE  tiveram crescimento da produção industrial, com destaque para Santa Catarina (8,1%) e Rio Grande do Sul (7,9%).

No acumulado nos dois primeiros meses de 2021, frente ao mesmo período do ano anterior, a produção industrial baiana também tem forte recuo (-18%), o maior do país. O desempenho da indústria nacional está positivo nesse indicador (1,3%).

Veículos  e derivados de petróleo 

O recuo na produção industrial da Bahia na comparação com fevereiro de 2020 (-20,9%) refletiu as quedas tanto na indústria extrativa (-4,6%), oitavo recuo consecutivo, quanto na indústria de transformação (-21,7%), segunda queda seguida.

Assim como havia ocorrido em janeiro, houve retrações em 7 das 11 atividades da indústria de transformação investigadas separadamente no estado, com destaques, mais uma vez para a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-97,1%) e a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-23,2%).

Foram essas atividades que mais puxaram a produção industrial baiana como um todo para baixo, pelo segundo mês consecutivo.

Entre as 4 atividades industriais com aumento de produção em fevereiro 21/ fevereiro 20 na Bahia, os principais destaques, em contribuição para segurar a queda da indústria baiana no mês, vieram, respectivamente, da fabricação de outros produtos químicos (12,2%) e da fabricação de celulose, papel e produtos de papel (5,1%).

A maior taxa positiva ficou, novamente, com a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (23,4%), porém esta atividade possui um peso menor na indústria do estado.

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