Por Eduardo Pedroza*

Criado pela Assembleia Geral da ONU como resultado da RIO-92 e Agenda 21, o Dia Mundial da Água é celebrado hoje. E é um justo destaque para os nossos recursos hídricos, que sempre estiveram no cerne do desenvolvimento social e econômico.

Atualmente, sobretudo, a água exerce um papel protagonista crescente nos desafios associados à saúde e à economia nas áreas de saneamento e produção de alimentos e industrial, além de movimentar grandes demandas de infraestrutura para adução, tratamento e distribuição e de promover um relevante papel na geração de empregos.

Neste cenário atual de pandemia, o tema água se destaca ainda mais no país, diante da necessidade brasileira de ampliar o saneamento básico. Isso porque o Brasil tem 16% da população sem água tratada e 47% sem coleta e tratamento adequado de esgoto, segundo o Sistema Nacional de Informações de Saneamento.

Um exemplo emblemático desta realidade foi destacado pela OMS e pelo Unicef. As instituições informaram que cerca de 6 milhões de crianças no Brasil frequentam estabelecimentos de ensino sem acesso à água tratada. Em tempo de pandemia e com alguns governos querendo reabrir as escolas, esta situação se torna ainda mais grave.

Neste cenário atual de pandemia, o tema água se destaca ainda mais no país, diante da necessidade brasileira de ampliar o saneamento básico

Diante desse desafio, o Brasil aprovou, em 2020, o novo Marco Regulatório do Saneamento, que trouxe pontos importantes para viabilizar a expansão dos serviços, investimentos, metas e critérios de gestão, bem como uma regulação direcionada pela Agência Nacional da Água. Essas mudanças contribuem para uma maior atratividade de investimentos privados e uma regulação que traz uma visão única e benéfica para o Brasil. E cabe destacar que a expansão do saneamento básico, além dos benefícios diretos, potencializa e viabiliza também, por meio de sinergias, projetos de reúso da água para fins econômicos.

Além do Marco, o atual momento exerce um papel transformador nesta questão, uma vez que as empresas passaram a enfatizar estratégias de governança ambiental, social e corporativa, cuja gestão da água exerce papel central nas tomadas de decisão: seja pela sua relação como insumo de processos produtivos e/ou pela responsabilidade com a sociedade e o meio ambiente.

Um bom exemplo disso são as iniciativas crescentes do uso de fontes alternativas de água (dessalinização) e projetos de economia circular (reúso da água), tendências de cidades inteligentes – a exemplo do projeto Aguaduna na Bahia – e condomínios industriais integrados – como o Polo Industrial de Camaçari, com o trabalho da Cetrel. Essas iniciativas trazem a gestão hídrica como pilar fundamental, adotando gestão inteligente de infraestrutura e maior eficiência no uso deste precioso recurso.

________________________________________________________
*Eduardo Pedroza é mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, representante brasileiro da Aladyr e gerente da Cetrel

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

16 − dezesseis =