Vendas no varejo baiano caem 4,3% em dezembro e encerram 2020 com a menor taxa em quatro anos

O resultado negativo em geral foi puxado pelo segmento de tecidos, vestuário e calçados (Foto: Claudio Vieira/PMSJC)

As vendas do varejo na Bahia recuaram 4,3%, em dezembro,  em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais (que desconsidera, por exemplo, a Black Friday e o Natal). Foi o segundo resultado negativo seguido nessa comparação – as vendas já tinham recuado 2,6% de outubro para novembro. Frente ao mesmo mês de 2019,  as vendas  caíram 6,6%.   De acordo com o IBGE, com resultados bem negativos de março a julho, fortemente influenciados pela pandemia da Covid-19, e as duas quedas de novembro (-0,5%) e dezembro (-6,6%), as vendas do varejo da Bahia fecharam 2020 em baixa (-4,3%).

O ano de 2020 foi, assim, o pior para o comércio da Bahia desde 2016, quando as vendas haviam caído 8,2%.

Vestuário e supermercados

No acumulado no ano de 2020 (-4,3%), o volume de vendas caiu em seis dos oito segmentos do varejo restrito baiano (que desconsidera as vendas de automóveis e material de construção).

Apenas móveis e eletrodomésticos (14,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (3,0%) tiveram resultados positivos no ano.

O resultado negativo em geral foi puxado pelo segmento de tecidos, vestuário e calçados (-28,8%) e pela queda na vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,5%), que teve o recuo menos intenso, mas é a atividade mais importante na estrutura do comércio varejista baiano.

O segmento de vestuário (-28,8%) teve o seu pior ano desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio para esse indicador, em 2001. Sofreu quedas seguidas e intensas nas vendas entre março e setembro, fortemente influenciadas pelo fechamento das lojas em razão da pandemia da Covid-19.

O desempenho negativo do segmento de supermercados (-3,5%), por sua vez, foi puxado por quedas importantes nas vendas em novembro (-16,3%) e dezembro (-14,7%).

Por outro lado, o segmento de móveis e eletrodomésticos (14,6%) teve seu melhor ano na Bahia desde 2011, quando tinha visto suas vendas crescerem 17,6%.

Queda recorde na venda de automóveis

No acumulado do ano de 2020, as vendas do comércio varejista ampliado na Bahia também apresentaram queda (-7,9%) em comparação ao ano anterior. O resultado foi o pior entre os estados e ficou bem abaixo da média do país como um todo (-1,5%).

O desempenho final de 2020 também foi o pior para o varejo ampliado baiano desde 2016 (-11,1%).

O varejo ampliado engloba o varejo restrito mais as vendas de de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, para as quais não se consegue separar claramente o que é varejo do que é atacado.

O resultado negativo no ano se deu em razão da queda recorde para o estado na venda de veículos, motocicletas, partes e peças (-24,1%). Este foi o pior número na Bahia desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, em 2001.

Foi também o primeiro resultado negativo da atividade após três anos de alta e o maior recuo entre os 12 estados onde esse segmento é investigado separadamente. Todos os estados apresentaram retração na atividade.

Por outro lado, houve alta na venda de material de construção em 2020 (9,6%). Foi o melhor resultado para a atividade no estado desde 2010 (14,6%) e o 5º melhor resultado do país no ano passado.

No mês de dezembro, o varejo ampliado da Bahia apresentou queda (-1,5%) frente a novembro, na série com ajustes sazonais. Porém, o resultado ficou acima da média do país como um todo (-3,7%). Nesta comparação, apenas o estado do Amapá apresentou resultado positivo (3,8%).

Já na comparação dezembro 20/ dezembro 19, a Bahia apresentou a maior queda do país (-4,7%), empatada com o Rio Grande do Sul. Apenas cinco estados apresentaram retração, com a média do país sendo positiva (2,6%).

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