Salvador tem 567 mil famílias com algum tipo de dívida, diz Fecomércio

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Fecomércio-BA, apontou, em fevereiro, que 61% das famílias em Salvador possuem algum tipo de dívida, significando 567 mil famílias endividadas – 8,1 mil a menos do que no mês anterior. Embora pareça uma diferença pequena em relação a janeiro, é importante ressaltar que a taxa de endividados caiu pelo quinto mês consecutivo, e desde setembro quando o percentual foi de 66,9%, o número de famílias com dívidas reduziu 53,8 mil.

De acordo com o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, “a taxa de inadimplentes também caiu pelo quinto mês seguido e atinge 25,5% das famílias em fevereiro, ou 237 mil famílias que não conseguiram pagar a dívida até a data do vencimento, 49 mil a menos do que em setembro passado. Apesar da melhora neste período, o percentual de inadimplentes continua alto e preocupante, pois há um ano a taxa era de 15,7%”.

“O que vale o destaque relativamente positivo da pesquisa é o resultado das famílias que já dizem que não vão conseguir pagar a dívida em atraso, que passou de 13,6% em julho de 2020 e, após sete retrações, atinge os 9,9%. Sinal de que houve uma melhora nas condições econômicas das famílias ao longo do segundo semestre do ano passado e que deu suporte para este início de ano também. Os feirões de renegociação também foram importantes para equalizar as dívidas desses atrasados”, pontua o economista.

Dentre os endividados, o tipo de dívida mais recorrente continua sendo o cartão de crédito com 94,2%, seguido dos carnês (8,4%). Os dados do Banco Central confirmam a maior utilização do cartão de crédito como meio de pagamento. “No último trimestre do ano passado, as famílias brasileiras usaram 4,4% a mais de crédito no pagamento à vista em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, devido ao aumento do uso dessa modalidade, o risco de inadimplência também sobe e com isso os juros ficam mais altos, em média 302% ao ano no rotativo”, explica Dietze.

Orientação

A Fecomércio-BA orienta aos consumidores a buscarem formas mais baratas, ou menos caras, no caso de descontrole das contas. “Opções como crédito pessoal ou consignado são exemplos que o consumidor deve negociar com o seu banco. É sabido, no entanto, que muitas dessas famílias até tentam pegar algum crédito mais barato para pagar as contas, mas as propostas acabam sendo negativadas”, diz o consultor.

Outro bom número da pesquisa foi o percentual da renda comprometida com a dívida que atingiu 36,5%, abaixo dos 37,9% de janeiro e dos 38,2% de dezembro. O ideal é estar próximo aos 33% para reduzir os riscos de descontrole com as demais contas do dia a dia das famílias.

Para o economista, “a situação econômica não é das mais favoráveis, com a segunda onda de contaminação do coronavírus, fechamento de lojas, medo de perder o emprego e, ao mesmo tempo, com o aumento expressivo nos preços de alimentos que tem impactado fortemente o orçamento doméstico”. Apesar de tudo, a Peic mostra uma melhora contínua importante de redução de endividados e de inadimplentes”, avalia.

Todavia, se o ritmo de vacinação continuar lento e o quadro permanecer desfavorável por alguns meses, é possível que haja um novo aumento da inadimplência no curto prazo. “Não de forma expressiva, porque muitas das famílias conseguiram economizar ao longo de 2020 e possuem recursos dinheiro na poupança, o qual pode ser utilizado em último caso para pagar contas em atraso”, finaliza o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

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