Pressão dos alimentos faz inflação na RMS ter a maior alta em quatro anos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, ficou em 0,92%, em dezembro,  na Região Metropolitana de Salvador (RMS), encerrando a trajetória ascendente do indicador que se iniciou no mês de setembro. O resultado para dezembro foi inferior, tanto ao do mês anterior (tinha sido de 1,17% em novembro), quanto ao do índice do mesmo mês no ano passado (1,26%, em dezembro de 2019). Com o resultado do mês, o IPCA da RMS fechou o ano de 2020 em 4,31%. Ficou um pouco abaixo da média nacional (4,52%), mas foi a maior inflação para um ano na RMS desde 2016 (6,72)%.

Em 2020, o IPCA da RMS  foi o 11º maior dentre as 16 áreas investigadas. As maiores inflações no ano foram em Campo Grande/MS (6,85%), Rio Branco/AC (6,12%) e na RM Fortaleza/CE (5,74%). No outro extremo, o IPCA do ano foi menor em Brasília/DF (3,40%) e nas RMs Curitiba/PR (3,95%) e Rio de Janeiro/RJ (4,09%).

Alimentos têm maior aumento em 18 anos

No ano de 2020, os alimentos (14,04%) tiveram o maior aumento em 18 anos, desde 2002 (19,69%), e exerceram de longe a maior pressão inflacionária na Região Metropolitana de Salvador.

A pressão dos alimentos consumidos em casa (17,58%) foi maior do que a da alimentação fora (5,29%), puxados pelas carnes (26,60%), sobretudo a costela (35,75%), e os cereais, leguminosas e oleaginosas (51,02%), sobretudo o arroz (74,24%), segundo item com o maior aumento percentual e também o segundo que mais contribuiu para o aumento da inflação de 2020 na RMS.

O maior aumento percentual também está no grupo dos alimentos: o óleo de soja, que registrou aumento anual de 103,97%. Por outro lado, a manga (-28,09%) foi o item que apresentou a maior queda percentual em 2020.

Os custos com habitação (7,50%) tiveram o segundo maior aumento e a segunda maior contribuição para o IPCA do ano, na RMS, com influência principalmente da energia elétrica residencial (16,58%), que foi o item de maior pressão inflacionária na RM Salvador em 2020.

Em 2020, dois dos nove grupos de produtos e serviços que formam o IPCA tiveram deflação: vestuário (-8,25%) e educação (-0,49%).

No primeiro, houve quedas tanto nas roupas femininas (-17,76%) quanto nas masculinas (-8,20%) e infantis (-8,63%). Entre as despesas com educação, as principais influências vieram dos cursos regulares (-1,11%), sobretudo do ensino fundamental (-2,73%) e da pré-escola (-7,89%).

Apesar do grupo transportes (0,25%) ter fechado o ano em alta, a gasolina (-3,22%) e o seguro voluntário de veículo (-20,47%) foram os itens que mais ajudaram a segurar a inflação na RM Salvador.

Energia e passagem aérea

O IPCA de dezembro na Região Metropolitana de Salvador (0,92%) foi resultado de aumentos nos preços médios de oito dos nove grupos de produtos e serviços que formam o índice.

Os grupos habitação (3,32%) e transportes (1,79%) tiveram as maiores altas e foram os que mais puxaram para cima a prévia da inflação do mês na RMS.

Entre os gastos com moradia, a principal influência veio da energia elétrica residencial (10,88%), puxada pela volta da bandeira vermelha patamar 2 (com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos) após dez meses consecutivos de bandeira verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz).

Por sua vez, o aumento mensal dos transportes se deu especialmente pela alta no transporte público (4,89%), que por sua vez foi puxada pelo valor da passagem aérea (35,76%), que foi o item com o maior aumento entre as centenas de produtos e serviços que compõem o IPCA. Também contribuíram os aumentos nos valores do veículo próprio (0,88%), e dos combustíveis (1,18%), especialmente a gasolina (1,12%).

O grupo alimentação e bebidas teve o sétimo maior aumento na inflação de dezembro (0,25%), apresentando a quarta maior contribuição. No mês, a maior influência para este aumento veio da alimentação fora do domicílio (0,55%), com a alimentação no domicílio também apresentando leve alta (0,13%).

O único grupo com queda em dezembro é a educação (-2,36%), puxada pela queda no valor dos cursos regulares (-3,31%), especialmente o ensino fundamental (-5,95%)

 

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