Preço médio dos alimentos registrou alta de quase 15% este ano na RMS (Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias)

O  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), calculado pelo IBGE, ficou em 1,18% na Região Metropolitana de Salvador (RMS), em dezembro, acima tanto do registrado no mês anterior (tinha sido 0,63% em novembro), quanto do índice do mesmo mês do ano passado (0,95%, em dezembro de 2019). Com o maior aumento em 18 anos (desde 2002), os alimentos (14,54%) exerceram de longe a maior pressão inflacionária em 2020, na Região Metropolitana de Salvador; habitação (4,71%) teve segunda maior contribuição (leia mais abaixo).

No último trimestre de 2020 (a partir de outubro), o IPCA-15 da RMS mostrou trajetória ininterrupta de aceleração, chegando ao seu maior patamar no último mês do ano (1,18%). Foi também o maior índice para um dezembro na RMS desde 2015, quando havia ficado em 1,20%. O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial do mês, refletindo os preços coletados entre 13 de novembro e 11 de dezembro.

Em dezembro, o índice na RMS  ficou ligeiramente acima do registrado no país como um todo (1,06%) e foi o 5º  maior entre as 11 áreas pesquisadas separadamente. As RMs Porto Alegre/RS (1,53%), Rio de Janeiro/RJ (1,28%) e Curitiba/PR (1,27%) tiveram as maiores prévias da inflação, enquanto Brasília (0,65%),   São Paulo/SP (0,86%) e  Belém/PA (0,91%) tiveram as menores.

Com o resultado do mês, o IPCA-15 da RMS fechou o ano de 2020 em 4,13%. Ficou um pouco abaixo da média nacional (4,23%), mas foi a maior prévia da inflação do ano, na RMS, desde 2016, quando havia fechado o ano em 6,97%.

Em 2020, o IPCA-15 da RMS foi o 6º maior dentre as 11 áreas investigadas. As maiores prévias da inflação no ano ficaram com as Fortaleza/CE (5,79%), Recife/PE (5,06%) e Belo Horizonte/MG (4,69%). No outro extremo, o IPCA-15 do ano foi menor em Brasília (3,07%) e nas RMs Curitiba/PR (3,82%) e Rio de Janeiro (3,88%).

Gasolina  e energia 

O IPCA-15 de dezembro na Região Metropolitana de Salvador (1,18%) foi resultado de aumentos nos preços médios de seis dos nove grupos de produtos e serviços que formam o índice. Os grupos transportes (4,76%) e habitação (2,01%) tiveram as maiores altas e foram os que mais puxaram para cima a prévia da inflação do mês na RMS.

O aumento mensal médio dos transportes (4,76%) foi o maior em pouco mais de 13 anos, desde fevereiro de 2007 (que havia sido de 4,91%). Teve forte influência dos combustíveis (13,33%), com a gasolina (13,86%) exercendo a maior pressão inflacionária individual, e o etanol (14,18%) também subindo bastante.

Além deles, as passagens aéreas (35,76%) tiveram, em dezembro, o maior aumento dentre as centenas de produtos e serviços que formam o IPCA-15 e também contribuíram de forma decisiva para a alta da prévia da inflação no mês.

Entre os gastos com moradia, a principal influência veio da energia elétrica (5,16%), puxada pela volta da bandeira vermelha patamar 2 (com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos) após dez meses consecutivos de bandeira verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz).

O grupo alimentação e bebidas teve o terceiro maior aumento na prévia da inflação de dezembro (1,16%) e também a terceira maior contribuição, com influências tanto da alimentação em casa (1,13%) quanto fora (1,23%), neste último caso, sobretudo das refeições, almoço e jantar (1,26%).

Alimentos  

No ano de 2020, porém, os alimentos (14,54%) tiveram o maior aumento em 18 anos, desde 2002 (16,96%), e exerceram de longe a maior pressão inflacionária na Região Metropolitana de Salvador.

A pressão dos alimentos consumidos em casa (18,31%) foi maior do que a da alimentação fora (5,47%), puxados pelas carnes (31,80%), sobretudo a costela (44,65%), e os cereais, leguminosas e oleaginosas (51,29%), sobretudo o arroz (66,03%), item que mais contribuiu para o aumento da prévia inflação de 2020 na RM Salvador.

Os custos com habitação (4,71%) tiveram o segundo maior aumento e a segunda maior contribuição para o IPCA-15 do ano, na RMS, com influência principalmente da energia elétrica (5,06%).

Em 2020, dois dos nove grupos de produtos e serviços que formam o IPCA-15 tiveram deflação: vestuário (-8,82%) e educação (-0,66%).

No primeiro, houve quedas tanto nas roupas femininas (-17,23%) quanto nas masculinas (-9,92%) e infantis (-9,63%). Entre as despesas com educação, as principais influências vieram dos cursos regulares (-1,11%), sobretudo do ensino fundamental (-2,73%) e da pré-escola (-7,89%).

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