Receita da pecuária baiana soma R$1,6 bilhão e bate recorde histórico

Rebanho bovino na Bahia teve o segundo maior aumento absoluto do país (Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias)

O ano de 2019 foi  positivo para a pecuária baiana, segundo os resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo IBGE desde 1974, e divulgada hoe.  Houve crescimento de quase todos os rebanhos frente a 2018. A única exceção foi o efetivo de equinos, que se reduziu em -0,7% (menos 3.324 animais), chegando a 505,6 mil cabeça.

Dentre os produtos de origem animal investigados na Bahia, apenas os ovos de galinha mostraram diminuição quantitativa, de -3,7%, chegando a 83,2 milhões de dúzias.

O valor total da produção animal no estado cresceu pelo terceiro ano consecutivo (+8,7%) e atingiu seu recorde histórico, R$ 1,6 bilhão. Só o mel teve um valor de produção menor em 2019 do que em 2018 (-5,0%, ficando em R$ 26,1 milhões).

O valor da aquicultura baiana voltou a crescer (+22,4% frente a 2018) e foi a R$ 146,1 milhões, também atingindo seu patamar mais alto desde que a atividade passou a ser investigada pela PPM, em 2013. Houve altas nos valores das produções em cativeiro de peixes (+11,7%, chegando a R$ 91,3 milhões) e camarões (+70,9%, indo a R$ 46,8 milhões), embora tenha havido recuo nos valores dos alevinos (-20,4%, indo a R$ 7,7 milhões) e de ostras, vieiras e mexilhões (-52,4%, ficando em R$ 252 mil).

Dentre os efetivos da pecuária, um dos principais destaques positivos na Bahia foi para os galináceos (grupo que engloba frangos para corte e galinhas poedeiras). Entre 2018 e 2019, o plantel desses animais passou de 44,2 milhões para 49,4 milhões, mostrando um crescimento de 11,6%, que representou mais 5,2 milhões de cabeças em um ano.

Foi o terceiro maior incremento do país, tanto em números absolutos quanto em taxa de crescimento, e fez como que o efetivo baiano de galináceos atingisse, no ano passado, seu patamar recorde nos 45 anos da PPM.

O aumento na quantidade de galináceos na Bahia, em 2019, veio depois de dois anos seguidos de quedas e foi puxado pelo crescimento do efetivo destinado ao abate, que passou de 38,2 milhões para 43,3 milhões animais, entre 2018 e 2019 (+13,6%). Por outro lado, o número de galinhas poedeiras (para produção de ovos) mostrou leve recuo, de 6,08 milhões para 6,04 milhões de animais (-0,6%).

Em 2019, Barreiras (6,9 milhões de animais), Conceição da Feira (4 milhões) e Luís Eduardo Magalhães (3,2 milhões) eram os municípios baianos com os maiores plantéis de galináceos.

Água Fria teve o maior aumento no número de galináceos entre 2018 e 2019. Em apenas um ano, o efetivo do município quase se multiplicou por seis, indo de 259 mil para 1,5 milhão (+492,2%). Com o resultado, Água Fria passou a ter o 9o maior plantel de galináceos da Bahia, no ano passado (em 2018, era o 21o).

Apesar do bom desempenho entre 2018 e 2019, a Bahia se manteve, no ano passado, com o 8º maior efetivo de galináceos do país, respondendo por 3,4% do total nacional, que foi de 1,5 bilhão de animais (+0,1% em relação a 2018). Paraná (389,2 milhões de animais, 26,5% do total nacional), São Paulo (205,1 milhões, 14,0%) e Rio Grande do Sul (154,6 milhões ou 10,5%) têm os maiores plantéis.

Rebanho baiano de ovinos  bate recorde

Entre 2018 e 2019, a Bahia teve os segundos maiores aumentos absolutos do país nos efetivos de caprinos (mais 233,3 mil bodes, cabras e cabritos, de um ano para o outro, +7,1%) e ovinos (mais 316,6 mil ovelhas, carneiros e borregos, ou +7,6%). Os avanços ficaram abaixo apenas dos verificados em Pernambuco (mais 254,5 mil caprinos, +10,9%, e mais 354,6 mil ovinos, ou +15,1%).

Com os bons resultados, a Bahia consolidou sua posição de líder nacional nesses dois rebanhos de médio porte, com 3,5 milhões de caprinos e 4,5 milhões de ovinos em 2019. Mais que isso, o efetivo baiano de ovinos no ano passado estabeleceu um novo recorde para o estado, sendo o maior desde o início da realização da PPM, em 1974.

Em 2019, a Bahia respondeu por 31,0% do rebanho brasileiro de caprinos, estimado em 11,3 milhões de animais, e por 22,8% de todos os 19,7 milhões de ovinos do país.

Muito por conta da afinidade entre as espécies e as características ambientais e socioeconômicas da região, o Nordeste lidera na quantidade de caprinos desde o início da série histórica da PPM e, a partir de 1996, passou a apresentar também o maior efetivo de ovinos, ficando responsável, respectivamente, por 94,6% e 68,5% desses rebanhos nacionais.

Os três maiores rebanhos de caprinos estavam na Bahia: em Casa Nova (528,9 mil animais), Juazeiro (272,9 mil) e Curaçá (266,9 mil). Os dois últimos tiveram os maiores aumentos absolutos do país entre 2018 e 2019 (mais 26,1 mil e mais 23,4 mil cabeças respectivamente) e ganharam posições no ranking nacional, fazendo Petrolina/PE (264 mil animais) cair de 2o para 4o lugar.

Casa Nova também tinha, em 2019, o maior rebanho de ovinos do Brasil: 463,7 mil animais. O segundo lugar ficava com Sant’Ana do Livramento/RS (301,2 mil), mas em seguida vinham Remanso (283,8 mil animais) e Juazeiro (278,3 mil), também na Bahia.

Rebanho bovino volta a crescer 

Em 2019, o rebanho bovino baiano também teve um resultado positivo: voltou a crescer depois de cinco anos de quedas consecutivas. No ano passado, o estado tinha 10,2 milhões de cabeças de gado, 2,9% a mais que em 2018, o que representou mais 290,9 mil bovinos em um ano.

Esse aumento absoluto foi o segundo maior do país, abaixo apenas do verificado em Mato Grosso, que tem o maior rebanho bovino do Brasil (31,7 milhões de cabeças) e viu esse efetivo aumentar em 1,5 milhão de animais, entre 2018 e 2019 (+5,1%).

Os maiores rebanhos bovinos da Bahia, em 2019, estavam em Itamaraju (172,9 mil cabeças), Itanhém (153,6 mil) e Guaratinga (148,5 mil).

Entretanto, nenhum desses líderes mostraram aumentos expressivos no efetivo. O aumento do rebanho bovino baiano entre 2018 e 2019 foi puxado por Campo Formoso (mais 15,4 mil animais, chegando a 38 mil cabeças), Santa Rita de Cássia (mais 10,1 animais, chegando a 112,7 mil) e Iuiu (mais 8,9 mil cabeças, chegando a 59,2 mil animais).

Apesar de ter crescido, em 2019 o rebanho bovino da Bahia se manteve como apenas o 9o maior do país, representando 4,8% das 214,7 milhões de cabeças de gado existentes no Brasil (efetivo 0,4% superior ao de 2018). Além de Mato Grosso, que responde por 14,8% dos animais brasileiros, se destacam Goiás (22,8 milhões de bovinos, 10,6% do total nacional) e Mina Gerais (22,0 milhões de animais, 10,3%).

Outro efetivo que cresceu na Bahia, entre 2018 e 2019 foi o de suínos (+1,2%), que chegou a 1,127 milhão de animais. O estado tem apenas o 10o maior rebanho de suínos do país, respondendo por 2,8% dos 40,6 milhões de animais existentes no país.

A região Sul lidera, e os maiores efetivos estão em Santa Catarina (7,6 milhões de animais, 18,7% do total), Paraná (6,8 milhões, 16,9%) e Rio Grande do Sul (5,6 milhões, 13,9%).

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