Exportações da Bahia têm queda de quase 26% em setembro

O resultado negativo é debitado à redução nos embarques de produtos agrícolas (Foto: Jaelson Lucas/AEN-PR)

As exportações da Bahia recuaram 25,8% em setembro, comparado a igual mês de 2019, alcançando US$ 614,4 milhões. O resultado negativo é debitado à redução nos embarques de produtos agrícolas, como soja e algodão, devido à entressafra e antecipação de embarques à China.

Também contribuíram para o desempenho ruim no mês, a queda na demanda e nos preços da celulose, dos derivados de petróleo, e dos produtos petroquímicos, que tiveram recuos acentuados de preços e de embarques por conta ainda dos receios do mercado de um não arrefecimento da pandemia e da consequente falta de recuperação da demanda global. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan).

Também no mês passado, e na mesma base de comparação, as importações caíram 5,3%, atingindo US$ 478,1 milhões, o que já indica pequena reação na ponta, refletindo o aumento esperado da retomada das atividades no segundo semestre, mas ainda bastante pressionadas pelo real extremamente desvalorizado.

Na comparação com os nove primeiros meses do ano passado, o valor das exportações baianas teve retração de 8,5%, alcançando US$ 5,51 bilhões. O volume embarcado (quantum), por sua vez, exibe crescimento de 27%, o que tem relação direta com a safra recorde de grãos colhida no estado, já que os preços médios dos produtos vendidos ao exterior desvalorizaram-se 28% no período. Também houve queda nas importações no ano, de 35% a US$ 3,41 bilhões, reflexo direto da pandemia, que afetou mais fortemente as importações através do choque na atividade interna e da forte depreciação cambial.

Corrente de comércio

A corrente de comércio, que soma os valores vendidos e comprados, indicando dinamismo econômico, recuou 20,8% no ano até setembro. O saldo por sua vez é 168,1% maior que em igual período de 2019, em função do recuo maior das importações que o das exportações.

Na análise trimestral, as exportações tiveram queda de 13,9% ante o terceiro trimestre de 2019, mas inferior ao tombo do segundo trimestre, apogeu da pandemia, que chegou a (-15,1%), sempre na comparação com o mesmo período do ano passado. Os melhores números do terceiro trimestre, apesar do recuo, devem-se ao excepcional volume embarcado do complexo soja e da celulose, que tiveram em julho seu maior mês de escoamento.

Para as importações, o terceiro trimestre apresenta o pior resultado do ano até agora (-42,4%), na mesma base de comparação, ante quedas de 32,3% no segundo trimestre e de 30,1% no primeiro trimestre. A contração das compras externas, portanto, vem sendo registrada ao longo de todo o ano, impactada pela frustrada recuperação da economia, ainda no primeiro trimestre, mas se acentuou a partir da pandemia, em função do câmbio desfavorável e da contração da demanda doméstica, sob os efeitos do isolamento social e da atividade econômica parcialmente paralisada.

Entre janeiro e setembro, as exportações do agronegócio somaram US$ 2,71 bilhões, uma elevação de 3,7% na comparação com período equivalente do ano passado. O movimento de expansão não foi observado em outras áreas. A indústria de transformação e extrativa, que inclui minérios e derivados de petróleo, recuou 14,2% no período.

Com relação aos destinos, a maior parte dos países comprou menos produtos baianos neste ano. Houve redução para quase todos os destinos, exceto a Ásia e EUA.

De janeiro a setembro, houve retração de 9% das exportações para a América do Norte, embora para os EUA, tenha sido registrado incremento de 2,9%. Houve queda também para a União Europeia (-20,2%), para os países da América do Sul (-38%) e para o Mercosul (-41,4%).

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