Vendas no varejo crescem 9,7% e comércio baiano segue em recuperação

Com o desempenho de julho, as vendas do varejo acumulam queda de -10,1% no ano (Foto: Fernando Frazão/Ag. Brasil)

As vendas do varejo na Bahia cresceram 9,7% em julho frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Foi o terceiro avanço consecutivo nessa comparação, após dois meses de quedas históricas nesse indicador, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Apesar do avanço, o resultado de julho ainda não elimina completamente as perdas acumuladas desde março. Nos cinco meses desde que começou o isolamento social, como medida preventiva contra a pandemia da Covid-19, as vendas do varejo baiano ainda mostram queda de 4,3%.

De junho para julho, o comércio varejista baiano (9,7%) teve um resultado melhor que o do Brasil como um todo, onde as vendas cresceram 5,2%. Houve aumentos em 21 das 27 unidades da Federação, lideradas por Amapá (34,0%), Paraíba (19,6%) e Pernambuco (18,9%). A Bahia teve o 5o melhor resultado. No outro extremo, Tocantins (-5,6%), Mato Grosso (-1,6%) e Paraná (-1,6%) tiveram as quedas mais intensas.

Apesar do resultado positivo entre junho e julho, na comparação com julho de 2019, o desempenho das vendas na Bahia seguiu em queda (-2,7%). Foi a sexta retração seguida no ano, nessa comparação, embora tenha havido importante desaceleração no ritmo de recuo em relação aos meses anteriores (-12,5% em junho, -20,8% em maio, -26,5% em abril e -8,2% em março).

O recuo baiano (-2,7%) foi o segundo mais intenso entre os estados, ficando acima apenas de Sergipe (-3,9%). Foi um resultado ainda bem pior que o nacional, que mostrou alta de 5,5%. Nesse confronto, houve avanço nas vendas em 20 dos 27 estados, com destaques para o Pará (23,5%), Maranhão (21,3%) e Amazonas (19,7%).

As vendas do varejo baiano acumulam queda de -10,1% de janeiro a julho de 2020, frente ao mesmo período de 2019. É também um resultado bem abaixo do nacional (-1,8%). No acumulado nos 12 meses encerrados em julho (frente aos 12 meses anteriores), o desempenho das vendas do comércio na Bahia segue negativo (-4,1%) e abaixo do verificado no Brasil como um todo (0,2%).

Vendas caem em 5 das 8 atividades do varejo

Em julho, na Bahia, 5 das 8 atividades do varejo restrito (que exclui automóveis e material de construção) tiveram quedas nas vendas, frente ao mesmo mês de 2019. O destaque positivo foi o crescimento nas vendas de móveis e eletrodomésticos (49,9%). Elas avançaram pelo segundo mês consecutivo, acelerando o ritmo de alta e, mais uma vez, tiveram o melhor desempenho entre os segmentos do varejo baiano.

O segundo principal impacto positivo no comércio da Bahia em julho veio dos hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,8%), que vêm se mantendo em alta desde março. Os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos também mostraram avanço (9,0%), pelo segundo mês consecutivo.

Dentre as atividades que ainda puxaram as vendas do varejo baiano para baixo em julho, quem liderou, mais uma vez, foi o segmento de tecidos, vestuário e calçados (-51,9%), com o quinto recuo mensal seguido, e o segundo maior entre os diversos ramos do comércio.

A segunda principal influência negativa no resultado geral das vendas no estado veio, pelo quarto mês seguido, do segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-19,3%). Apesar de cair desde fevereiro, a atividade, que engloba parte representativa dos grandes sites de comércio on-line, vem mostrando redução no ritmo do recuo.

Vendas do varejo ampliado seguem em alta

Em julho, o volume de vendas do comércio varejista ampliado baiano apresentou novo avanço frente a junho, na série livre de influências sazonais (8,2%). Foi o terceiro aumento consecutivo e acima da média nacional (7,2%).

De junho para julho, apenas dois estados mostraram variação negativa nas vendas do varejo ampliado: Mato Grosso do Sul (-0,7%) e Piauí (-0,1%).

Porém, frente a julho de 2019, as vendas do varejo ampliado na Bahia apresentaram, novamente, o maior recuo do país (-9,1%). A queda foi bem mais intensa do que a do varejo restrito no estado (-2,7%). O Brasil como um todo apresentou alta nesse indicador (1,6%), com resultados positivos em 19 das 27 unidades da Federação.

O desempenho do varejo ampliado baiano no acumulado de janeiro a julho de 2020 está negativo (-14,0%), frente a um resultado de -6,2% em nível nacional. Nos 12 meses encerrados em julho, a vendas do varejo ampliado na Bahia também mostram queda (-6,0%) mais intensa do que a nacional (-1,9%).

O varejo ampliado engloba, além do varejo restrito, as vendas de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, para as quais não se consegue separar claramente o que é varejo do que é atacado.

Frente ao mesmo mês do ano anterior, o comércio de veículos na Bahia teve a sexta queda consecutiva (-34,7%) e a mais intensa dentre os 13 estados onde a atividade é pesquisada separadamente. O comércio de material de construção, porém, teve o seu segundo crescimento consecutivo (29,0%), o terceiro mais elevado da série histórica da pesquisa, iniciada para esse indicador em 2005.

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