Prorrogação de MP 936 pode salvar mais de 400 mil empregos no turismo, aponta estudo

No acumulado do ano, o saldo de vagas formais é negativo em 171.139 (Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini)

A prorrogação de medidas emergenciais do governo federal, como a MP 936, pode preservar mais de 400 mil empregos no setor do turismo. É o que aponta a segunda edição do levantamento “Impacto econômico da Covid-19: propostas para o turismo brasileiro”, elaborado pela FGV Projetos. Sem o alongamento das medidas, a estimativa é que se percam 1.114.182 postos de trabalho no setor. Com a continuidade da ajuda, a retração deve eliminar 669.831 empregos.

No primeiro momento, apesar da drástica queda da produção, que atingiu 10% no setor de turismo, no mês de abril, os empregos se mantiveram em 90% dos postos, revelando o impacto positivo da MP 936 junto às empresas da área. Diante desse quadro, além da manutenção desse auxílio, os pesquisadores sugerem outros incentivos, como o alívio de encargos trabalhistas.

Segundo Luiz Gustavo Barbosa, gerente executivo da FGV Projetos, esses apoios são importantes para fazer com que o empregador consiga manter seus funcionários e já possa tê-los de volta trabalhando, quando houver o momento de retomada da economia. “A MP 936 evitou uma demissão em massa no setor. Sem esse auxílio, haverá perda de produtividade setorial com a substituição de trabalhadores. As estimativas presentes indicam que é possível salvar mais de 400 mil empregos”, alerta o especialista.

O turismo brasileiro está praticamente sem atividades desde meados de março de 2020 e deverá passar todo o primeiro semestre sem apreciar a retomada significativa de suas vendas, mesmo que a economia apresente os primeiros sinais de abertura dos negócios em junho deste ano.

A partir da análise dos ambientes sanitário, político, social e econômico, e da contribuição de grandes empresários do setor, a FGV Projetos estima que o período de interrupção das atividades será de cinco meses. As premissas consideram que o turismo doméstico poderá recuperar a produção em 12 meses, mas o turismo internacional precisará de, pelo menos, 24 meses para voltar ao nível de 2019.

O estudo revisou para baixo as perdas econômicas do setor, que, em comparação ao PIB de 2019, serão significativas. Considerando os volumes de produção de 2019, o PIB do setor será de R﹩ 143,8 bilhões em 2020 (redução de 46,9% em relação à 2019) e R﹩ 236,5 bilhões em 2021 (12,6% inferior ao PIB do setor em 2019). Dessa forma, a perda total do setor turístico brasileiro será de R﹩ 161,3 bilhões no biênio 2020-2021, o que representa a perda de 29,8% na produção total do período.

Considerando as Atividades Características do Turismo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor é responsável por mais de dois milhões de postos de trabalho.

Retomada em etapas

Quanto mais tempo o setor ficar inoperante, mas difícil será retomar as vendas do mercado turístico. De acordo com o estudo, a recuperação econômica depende de um conjunto de fatores prioritários − como preservação de postos de trabalho, flexibilidade operacional, crédito, união setorial, segurança sanitária e resiliência − para o que o mercado vem chamando de um “novo normal’.

A retomada deve ocorrer por etapas, como viagens domésticas essenciais de curta distância, utilizando principalmente os meios rodoviários. Depois virão as viagens domésticas de longa distância, utilizando-se do meio de transporte aéreo. Em seguida, terão início viagens de negócios e eventos, ainda em ritmo lento. E somente em um estágio final ocorrerá a retomada do turismo internacional, que dependerá de regulações e normas de outros países. Além disso, a crise econômica mundial deve também contribuir negativamente na recuperação desse mercado.

Como medidas necessárias para mitigar os impactos da pandemia no setor, o levantamento sugere incremento de medidas para preservação de empregos e recuperação do mercado aéreo; reequilíbrio de contratos de concessão; políticas de crédito para empresas e consumidores; e implementação de segurança sanitária como imagem do negócio turístico.

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