Produção da indústria baiana tem o maior crescimento do país em janeiro

A perda de posição de Salvador se explica, em parte, pela retração da indústria (Foto: José Paulo Lacerda/CNI)

A produção industrial da Bahia teve forte crescimento em janeiro, de 10,3%, frente ao mês anterior, descontados os efeitos sazonais. O aumento do ritmo fabril no estado foi o maior do país, nessa comparação, e um desempenho dez vezes melhor que o nacional: de dezembro para janeiro, a produção industrial brasileira cresceu 0,9%. Foi também o melhor resultado para um mês de janeiro, na Bahia, desde o início da nova série histórica da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, do IBGE, iniciada em 2002.

O crescimento da produção industrial na Bahia foi o primeiro resultado positivo depois de duas quedas consecutivas. Segundo Bernardo Almeida, analista da PIM-PF Regional, “a indústria baiana conseguiu, com a alta de janeiro, eliminar as perdas dos dois meses anteriores, quando havia acumulado recuo de 5,5%.”

O bom desempenho da indústria baiana nesse confronto (10,3%) acompanhou o movimento positivo verificado em 13 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE. Essa disseminação de taxas positivas foi a maior desde junho de 2018, quando a indústria começou a se recuperar da greve dos caminhoneiros, iniciada em maio daquele ano.

Frente a dezembro, a produção industrial caiu apenas em Mato Grosso (-2,3%) e no Pará (-4,2%).

Na comparação com janeiro de 2019, a produção industrial baiana também mostrou avanço (8,3%): 2º maior crescimento entre as 15 áreas investigadas, menor apenas que o verificado no Rio de Janeiro (9,8%). Nesse confronto, a produção industrial nacional recuou (-0,9%), com 7 dos 15 locais mostrando queda na atividade fabril. Os piores resultados vieram de Minas Gerais (-14,2%) e Espírito Santo (-20,9%).

Apesar dos bons resultados de janeiro, a indústria baiana ainda tem desempenho negativo no acumulado em 12 meses (-1,7%). No Brasil como um todo, a produção industrial também recua nessa comparação (-1,0%), com quedas em 7 dos 15 locais investigados.

O quadro a seguir mostra as variações da produção industrial brasileira e regional em janeiro de 2020.

Petróleo e papel e celulose

O crescimento de 8,3% na produção industrial da Bahia, na comparação com janeiro de 2019, foi resultado de desempenhos positivo tanto na indústria extrativa, quanto na de transformação, cada uma das quais também teve alta de 8,3%.

Das 11 atividades da indústria de transformação pesquisadas separadamente no estado, 4 apresentaram avanços de produção. O resultado positivo do setor foi, portanto, concentrado e teve forte influência da fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (40,7%) e de celulose, papel e produtos de papel (31,6%).

O segmento de derivados de petróleo é o de maior peso na estrutura industrial da Bahia e teve, em janeiro, seu sexto resultado positivo consecutivo, mostrando ritmo crescente de avanço na atividade fabril. O resultado do mês teve influência, sobretudo, do aumento na produção de óleos combustíveis e de óleo diesel.

Já o segmento de papel e celulose teve o primeiro aumento de produção depois de sete quedas seguidas, com avanços na fabricação de todos os produtos investigados na Bahia.

As atividades de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (8,6%) e bebidas (5,2%) completaram os resultados positivos da indústria baiana em janeiro.

Por outro lado, as principais influências negativas no resultado da produção industrial do estado vieram da metalurgia (-52,4%) e da fabricação de minerais não-metálicos (-21,8%). A primeira mostrou o quinto recuo consecutivo na produção, enquanto a segunda teve o terceiro resultado negativo seguido.

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