Renda dos mais ricos na Bahia é 48 vezes maior que a dos mais pobres

Quase metade dos trabalhadores (48%) tem medo grande de perder o emprego (Foto: Pedro Girão)

A  perda salarial média dos trabalhadores baianos (-7,7%) se concentrou fortemente, no ano passado,  entre os que ganhavam mais. Até os 10% de trabalhadores com menores rendimentos, a queda no salário foi bem menor que a média (-0,8%), de R$ 130 para R$ 129 mensais. A partir daí e até chegar a 90% dos trabalhadores, houve aumentos reais em praticamente todas as faixas de recebimento.

Os recuos importantes começam entre os 10% de trabalhadores com os maiores salários. Eles viram seu rendimento médio real de todos os trabalhos recuar 18,5% em um ano, passando de R$ 7.599 para R$ 6.196.

Ainda assim, em 2018, os 10% com maiores salários na Bahia recebiam o equivalente a 48 vezes o que ganhavam em média os 10% com menores salários (R$ 6.196 contra R$ 129). Essa diferença era bastante significativa, ficava bem acima da média nacional (36,9 vezes, R$ 9.369 versus R$ 254) e era a 6ª maior entre os estados. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) de 2018, divulgada hoje (16) pelo IBGE.

Sofreu, porém, uma importante redução em relação a 2017, quando havia atingido seu ponto máximo, com os 10% com maiores salários recebendo, em média, o equivalente a 58,5 vezes o salário médio dos 10% que recebiam menos (R$ 7.599 versus R$ 130).

A Bahia teve, de 2017 para 2018, a maior redução do país na desigualdade salarial ente os 10% que ganhavam mais e os 10% que ganhavam menos. Em média, no Brasil, a concentração dos rendimentos de trabalho aumentou: em 2017, os 10% com maiores salários recebiam o equivalente a 34,7 vezes o que ganhavam os 10% com menores rendimentos.

De 2017 para 2018, a desigualdade salarial entre os 10% mais pobres e os 10% mais ricos aumentou em 17 dos 27 estados, com destaque para Roraima (de 23,5 vezes para 41,5 vezes), Pará (de 34,3 vezes para 48,3 vezes) e Piauí (de 59,2 para 72,3 vezes).

No ano passado, a distância enre o salário dos 10% mais ricos e dos 10% mais pobres era maior no Piauí (72,3 vezes), Ceará (55,0 vezes) e na Paraíba (53,4). Dos dez estados mais desiguais, oito estavam no Nordeste. No outro extremo, Santa Catarina (12,6 vezes), Goiás (19,2 vezes) e Rio de Janeiro (20,9 vezes) eram os estados com menor desigualdade.

Índice de Gini

A redução na desigualdade salarial na Bahia, em 2018, se consolidou no Índice de Gini do rendimento médio mensal de todos os trabalhos no estado, que deixou de ser o maior do país (0,565 em 2017), caindo para 9º lugar no ano passado (0,524).

O Índice de Gini mede a desigualdade numa distribuição qualquer e vai de 0 a 1, sendo mais desigual quanto mais próximo de 1.

De 2017 para 2018, a desigualdade nos rendimentos de trabalho medida pelo Gini aumentou no país como um todo (de 0,501 para 0,509) e em 18 dos 27 estados. A Bahia teve a 3ª maior redução do Gini, depois de Amazonas e Amapá. Por outro lado, Rondônia, Roraima e Tocantins tiveram, nessa ordem, os maiores aumentos no índice.

Em 2018, o maior Índice de Gini nos rendimentos de trabalho ficava com Sergipe (0,548), seguido por Piauí (0,547) e Paraíba (0,546). Por outro lado, Santa Catarina (0,398), Goiás (0,443) e Mato Grosso (0,446) eram os estados menos desiguais.

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