Bahia perdeu 2.665 empresas de serviços em um ano, diz IBGE

O maior avanço no mês foi novamente o dos serviços prestados às famílias (217,8%) (Foto: Licia Rubinstein/Ag. IBGE)

Entre 2016 e 2017, o setor empresarial de serviços encolheu 5,2% na Bahia. Em um ano, o estado perdeu 2.665 empresas de serviços, passando de um total de 50.929 para 48.264. A taxa de redução da Bahia (-5,2%) foi a segunda maior do país nesse período, ficando abaixo apenas da verificada em Mato Grosso do Sul (-5,3%, de 18.465 para 17.479 empresas), conforme dados divulgados hoje pleo IBGE.  Já o saldo negativo em termos absolutos (-2.665 empresas) foi o terceiro maior, abaixo apenas dos registrados nos estados de São Paulo (-23.997 empresas) e Santa Catarina (-3.873).

O ano de 2017 também foi de retração para o setor empresarial de serviços no país como um todo. Frente a 2016, o número de empresas recuou 1,7%, passando de 1.329.789 para 1.306.671, com um saldo negativo de menos 23.118 companhias em um ano. Ainda assim, a maioria dos estados (18 dos 27) viu o número de empresas de serviços crescer nesse período.

Queda percentual (-5,2%) só foi menor que a do Mato Grosso do Sul (-5,3%); redução em números absolutos (-2.665) foi a terceira maior dentre os estados, abaixo apenas de São Paulo e Santa Catarina

Percentualmente, os maiores aumentos percentuais ocorreram no Amazonas (9,2%), no Ceará (9,2%) e no Pará (8,8%). Minas Gerais (+3.603 empresas), Goiás (+2.394) e Ceará (+2.261) tiveram os maiores saldos positivos de empresas de serviços entre 2016 e 2017.

Com o resultado de 2017, o setor empresarial de serviços na Bahia estava naquele ano 2,7% menor do que em 2014, ou seja, com menos 1.115 empresas do que havia antes do início da crise econômica (49.379).

Emprego 

O saldo negativo de empresas de serviços na Bahia, em 2017, levou ao terceiro recuo consecutivo no total de pessoas trabalhando no setor, no estado. Em 2017, 522.423 pessoas estavam ocupadas nas empresas de serviços baianas, 2,3% a menos do que em 2016, o que correspondeu a um saldo de menos 12.424 empregados de um ano para o outro.

Em números absolutos, a Bahia teve o quarto saldo mais negativo dentre os estados (-12.424), superado apenas pelos verificados no Rio de Janeiro (-73.354 pessoas ocupadas), São Paulo (-67.300) e Pernambuco (-18.785).

No país como um todo, também houve uma pequena perda de postos de trabalho no setor empresarial de serviços, de 12.345.850 pessoas ocupadas em 2016 para 12.302.757 em 2017 (-0,6% ou menos 43.093 trabalhadores).

O setor empresarial de serviços na Bahia estava, em 2017, 2,7% menor do que em 2014, ou seja, com menos 1.115 empresas do que havia antes do início da crise econômica

Assim como ocorreu com o número de empresas, embora os resultados nacionais e baianos para o pessoal ocupado nos serviços tenham sido negativos, a maior parte dos estados brasileiros (17 de 27) viu crescer o número de trabalhadores nas empresas do setor, entre 2016 e 2017.

Em números absolutos, os destaques positivos ficaram com Minas Gerais (mais 48.456 pessoas ocupadas ou +4,2%), Santa Catarina (mais 21.209 trabalhadores ou +4,0%) e Paraná (mais 12.123 pessoas ou +1,6%).

O recuo no número de pessoas trabalhando nas empresas de serviços na Bahia, em 2017, foi o terceiro consecutivo. Nesses três anos de quedas (2015, 2016 e 2017), o setor teve uma redução de 9,0% no seu pessoal ocupado no estado, o que representou menos 51.655 trabalhadores em relação ao total de 2014 (quando havia 574.078 pessoas ocupadas).

Empresas de serviços prestados às famílias 

O fechamento de empresas de serviços na Bahia, entre 2016 e 2017, foi mais sentido pelas que atuavam em atividades de serviços às famílias. Em um ano, elas passaram de 17.114 para 15.639 (menos 1.475 empresas ou -8,6%). Nesse grupo, as empresas do segmento de alojamento e alimentação foram as mais afetadas em termos absolutos, reduzindo seu número em quase 10% (-9,9%), de 11.775 para 10.609, entre 2016 e 2017 (menos 1.166 empresas em um ano).

Percentualmente, perderam apenas para a retração observada entre as empresas de ensino continuado, que diminuíram seu número em 13,4%, passando de 1.502 em 2016 para 1.300 em 2017 (menos 202 empresas em um ano). Apesar da diminuição, o segmento de serviços prestados às famílias se manteve como o maior, em número de empresas do setor, na Bahia, representando quase 1 em cada 3 do total (32,4%).

Em 2017, o número de pessoas trabalhando nas empresas de serviço caiu pelo terceiro ano consecutivo na Bahia, chegando a 522.423 pessoas

Num empate “técnico” em termos de participação, ficavam as atividades de serviços prestados às empresas, com 15.568 empresas (32,3% do total) e a segunda maior redução de tamanho em relação a 2016, quando somavam 16.977 empresas (-8,3% de um ano para o outro).

As atividades de serviços prestados às empresas foram, por sua vez, as que mais demitiram entre 2016 e 2017, no estado. Passaram de um total de 228.243 trabalhadores para 217.636, o que representou menos 10.607 empregados em um ano (-4,6%).

As atividades dos serviços prestados às famílias vieram em seguida, na redução de pessoal ocupado, passando de 130.507, em 2016, para 124.462 em 2017 (menos 6.045 trabalhadores ou -4,6% em um ano). Dentre elas, o destaque negativo ficou mais uma vez com as empresas de alojamento e alimentação, com menos 5.593 pessoas ocupadas em um ano (-5,4%), seguidas pelas de serviços pessoais (menos 1.656 pessoas ocupadas em um ano, numa queda de 13,0%).

Receita bruta dos serviços volta a crescer

Mesmo com as reduções no número de empresas (-5,2%) e no pessoal ocupado (-2,3%), o setor empresarial de serviços na Bahia voltou a ter, em 2017, um aumento da receita bruta. Ela ficou em R$ 54,197 bilhões, 5,4% maior, em termos nominais, que a de 2016 (R$ 51,402 bilhões).

No país como um todo, a receita bruta de serviços também cresceu, passando de R$ 1,628 trilhão para R$ 1,690 trilhão (+3,8%), de 2016 para 2017. Apenas três estados sofreram queda no valor nominal da receita: Tocantins (-1,5%), Rondônia (-1,9%) e Distrito Federal (-2,5%).

De 2016 para 2017, empresas de serviços prestados às famílias foram as que mais fecharam as portas, enquanto empresas de serviços prestados às empresas foram as que mais demitiram

As atividades de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio são historicamente responsáveis pela maior fatia da receita bruta dos serviços baianos. Em 2017, geraram R$ 18,047 bilhões, ou 33,3% do total. Foram também as atividades que mais contribuíram para o aumento da receita bruta do setor como um todo, com um avanço de R$ 2,219 bilhões entre 2016 e 2017 (+14,0%).

Dentre elas, o destaque principal ficou com o segmento de transportes rodoviários, que teve um crescimento de 23,5% da receita bruta entre 2016 e 2017, chegando a R$ 10,479 bilhões.

Por outro lado, os serviços prestados às empresas foram a única atividade a ter redução na receita bruta, entre 2016 e 2017: de R$ 14,328 bilhões para R$ 13,864 milhões (-3,2%)

Nordeste

Desde 2007, quando se iniciou a atual série histórica da Pesquisa Anual de Serviços, a receita bruta das empresas de serviços na Bahia cresceu, em termos nominais, em quase todo os anos – a única exceção foi 2016, quando houve um recuo de 4,2% em relação a 2015.

Ainda assim, nesse período, o estado perdeu participação no total da receita de serviços tanto nacionalmente quanto na região Nordeste. Em 2008, a Bahia, com R$ 25,9 bilhões, respondia por 3,5% da receita bruta das empresas de serviços brasileiras (R$ 737,4 bilhões) e por 35,3% da receita do setor no Nordeste (R$ 73,345 bilhões naquele ano).

Apesar das reduções no número de empresas e de pessoal ocupado, receita bruta dos serviços voltou a crescer na Bahia em 2017 (+5,4%), chegando a R$ 54,2 bilhões

Dez anos depois, em 2017, os serviços baianos contribuíam com 3,2% da receita nacional do setor e por 31,2% da receita do Nordeste. Nesse período, a Bahia foi superada, nacionalmente, por Santa Catarina (em 2016), caindo do 6o para o 7o lugar entre os 27 estados, mas ainda permanece com a maior receita entre os estados nordestinos.

Na região, quase todos os estados aumentaram suas participações na receita bruta de serviços, exceto a Bahia e Alagoas (de 4,9% em 2008 para 4,4% em 2017). O destaque em termos de ganho ficou com o Ceará, que viu sua participação na receita de serviços do Nordeste crescer de 15,2% para 17,1% entre 2008 e 2017.

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