Faturamento encolhe e Bahia perde participação na indústria do Nordeste

Ford citou impactos da crise gerada pela pandemia para justificar fechamento de unidades (Foto: Alberto Coutinho/GOVBA)

Apesar de ter mostrado o segundo aumento consecutivo no número de unidades locais e o primeiro saldo positivo no emprego depois de três anos, em 2017,  o setor industrial baiano gerou menos riqueza do que em 2016. Na Bahia, o Valor da Transformação Industrial (VTI), uma aproximação do valor adicionado pela indústria ao PIB, ficou em R$ 46,7 bilhões em 2017, cerca de R$ 1,6 bilhão menor (-3,4%) que o verificado em 2016 (R$ 48,3 bilhões). Foi o primeiro recuo nesse indicador desde 2009, o que aumentou o ritmo da perda de participação do estado no valor gerado pela indústria nacional e do Nordeste. Os dados são da Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2017, divulgada hoje (6/06/19) pelo IBGE.

Apenas oito estados brasileiros tiveram queda nominal no VTI entre 2016 e 2017. A redução na Bahia foi a maior em termos absolutos (menos R$ 1,6 bilhão), mas apenas a 6ª em termos relativos (-3,4%). No país como um todo, o valor agregado pela indústria à Economia passou de R$ 1,1 trilhão, em 2016, para R$ 1,2 trilhão em 2017 (um crescimento de 7,8%, que representou mais R$ 85,1 bilhões).

O aumento do valor gerado pela indústria foi maior, em termos absolutos, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que, juntos, respondem por mais da metade (55,7%) de toda a riqueza gerada pela indústria nacional.

A Bahia tem a sétima maior participação respondendo, em 2017, por 4% do valor gerado pelo setor industrial brasileiro. Essa participação caiu em relação a 2016, quando era de 4,4%.

No Nordeste, embora o estado ainda continue na liderança, a perda de participação da indústria baiana, em apenas um ano, foi ainda maior: de 42,6%, em 2016, para 40% em 2017. Nesse período, quem mais ganhou participação na região foi Pernambuco (de 18,7% para 20,3%), seguido pelo Ceará (de 14,3% para 15,0%).

Comparando com 2008, quando a Bahia respondia por mais da metade do valor gerado pela indústria nordestina (52,6%), Pernambuco também lidera no ganho de participação, passando de 11,9% para 20,3%, e o Ceará apresenta o segundo maior aumento (de 11,6% para 15,0%).

Indústria de transformação

A queda do valor gerado pela atividade industrial baiana, em 2017, se concentrou na indústria de transformação, cujo VTI ficou em R$ 42,5 bilhões, frente a R$ 45 bilhões em 2016 – uma perda de R$ 2,5 bilhões (-5,7%). Por sua vez, o valor gerado pela indústria extrativa cresceu 27,4% entre 2016 e 2017, passando de cerca de R$ 3,3 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

Além de restrita à transformação, a retração do valor gerado pela indústria baiana foi relativamente concentrado, atingindo 9 das 24 atividades e com peso mais importante justamente nos dois segmentos de maior participação na estrutura de valor da indústria do estado.

A fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, que responde por 1/5 do valor gerado pela indústria baiana, viu seu VTI cair 18,9% entre 2016 e 2017, passando de R$ 13,2 bilhões para R$ 10,7 bilhões (menos 2,5 bilhões). Já a fabricação de produtos químicos, segunda atividade mais importante, responsável por 15,6% do valor gerado pela indústria baiana, mostrou recuo de R$ 9,1 bilhões para R$ 7,3 bilhões, entre 2016 e 2017 (menos R$ 1,8 bilhão ou -19,6%).

No outro extremo, a indústria alimentícia apresentou outro destaque positivo, com o segundo maior aumento no valor gerado, entre 2016 e 2017: de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,8 bilhões (mais R$ 368,7 milhões, ou +8,4%). Perdeu apenas para o segmento de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, cujo VTI mais que triplicou, subindo de R$ 599,6 milhões, em 2016, para R$ 1,9 bilhão em 2017 (mais R$ 1,3 bilhão ou +217,4%).

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