Eternit vai abandonar o uso do amianto até dezembro de 2018

Vista aérea da planta da Eternit no município de Simões Filho (Foto: Divulgação)

A Eternit, a  maior fabricante de telhas e caixas d’água de fibrocimento do mercado brasileiro, anunciou hoje  a decisão de substituir a utilização do amianto crisotila por fibras sintéticas, na produção de telhas de fibrocimento.  A mudança será concluída até o final do ano que vem. A companhia informou que já iniciou o redirecionamento do seu portfólio de produtos e negócios, “em busca de uma melhor adequação às demandas do mercado e de um crescimento sustentável.

O amianto – uma fibra mineral natural extraída de rochas e  usada na fabricação de telhas e caixas d’água – tem seu uso proibido em 55 países. A exposição  de trabalhadores ao produto pode causar uma série de doenças como o câncer de pulmão. Por conta disso, a  Eternit está sendo processada por centenas de trabalhadores em todo o país. Em agosto passado, a empresa  foi condenada, em primeira instância, a pagar indenização por danos morais coletivos de R$ 500 milhões por exposição de pessoas ao amianto da mina de São Felix, localizada no município baiano de  Bom Jesus da Serra,  e operada por sua subsidiária a Mineração Associados (Sama). A atividade na mina foi encerrada em 1967.

A sentença   foi proferida pela 1º Vara Federal da Subseção Judiciária de Vitória da Conquista (BA), que julgou procedente a ação  civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado da Bahia contra a Sama, os municípios de Bom Jesus da Serra, Caetanos e Poções, o Estado da Bahia e a União Federal.  A ação prevê  ainda indenização por danos individuais que teriam sido sofridos por 11 pessoas identificadas em perícia, incluindo o  pagamento de R$ 150 mil a títulos de danos morais individuais;  inclusão em plano de saúde; fornecimento de medicamentos e equipamentos necessários ao tratamento da doença;  pagamento de danos materiais que vierem a ser oportunamente comprovados e o  pagamento de pensão no valor de um salário mínimo e meio, mensal e vitaliciamente.

Tendêndia do mercado

Em comunicado , a Eternit idisse que há uma tendência no mercado, percebida nos últimos anos, de os consumidores deixarem de adquirir produtos que contenham amianto, especialmente na construção civil. A mudança na demanda tem levado a Eternit a substituir, progressivamente, o amianto crisotila por matériasprimas alternativas, como a fibra sintética.

“A Eternit investiu, nos últimos anos, cerca de R$ 25 milhões na adaptação dos equipamentos e do processo de produção de suas unidades industriais, para que pudesse substituir progressivamente a fibra mineral pela fibra sintética de polipropileno. No final de 2015, concluiu o investimento de aproximadamente R$ 95 milhões na implantação de uma nova fábrica em Manaus (AM) para a produção da fibra de polipropileno, suficiente para abastecer todas as unidades fabris da Companhia e ainda a demanda de terceiros”, diz Rodrigo Lopes da Luz,  diretor de relações com investidores, em comunicado ao mercado.

Fábrica baiana

Atualmente, as fábricas localizadas nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Colombo (PR), Simões Filho (BA), Goiânia e Anápolis (GO), utilizam em média 60% de fibra sintética de polipropileno e 40% de fibra mineral de amianto crisotila na fabricação de telhas. Até o final de 2018, o processo produtivo das telhas, utilizará 100% fibra sintética de polipropileno.

“A produção de fibras de amianto crisotila pela Sama  (mineradora controlada pela Eternit) continuará normalmente e vem sendo gradualmente direcionada para o mercado externo, atendendo clientes em outros países aonde o produto é permitido, tais como Alemanha, Estados Unidos, Índia e etc”, informa o comunicado da empresa.

 

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