Desigualdade entre rendimentos de brancos e negros aumenta

Os dados do IBGE indicam que a população ocupada no final de outubro chegava a 92,9 milhões

Com a crise no mercado de trabalho, a desigualdade entre os rendimentos dos brancos e dos negros (pretos + pardos) voltou a crescer na Bahia. Historicamente, os negros que trabalham recebem menos que os brancos, mas, no estado, considerando-se os terceiros trimestres de cada ano, essa desigualdade vinha caindo sistematicamente desde 2012. Naquele ano, os negros ganhavam em média o equivalente a 60,7% dos brancos (ou quase 40% menos), em 2015 essa diferença havia caído para 33% menos, e os negros chegaram a ganhar em média 67,1% dos rendimentos dos brancos.

Com a crise do mercado de trabalho, em 2016, a desigualdade voltou a crescer, depois de quatro anos, e o rendimento dos negros passou a ser, em média 34% menor que os dos brancos. A diferença continuou aumentando no terceiro trimestre de 2017, quando os negros que trabalhavam ganhavam, em média, 36,3% menos que os brancos, patamar bem próximo ao de 2013 (menos 36,5%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) referente ao 3º trimestre de 2017, do IBGE.

Entre os negros, os que se declaram pretos são ainda mais afetados pela desigualdade no rendimento médio. Na Bahia, no 3º trimestre, enquanto os brancos que trabalhavam ganharam em média R$ 1.945, os pardos receberam R$ 1.263 (35,1% menos), e os pretos ganharam R$ 1.175 (quase 40% menos).

Em relação ao mesmo período de 2016, no estado, o rendimento médio geral teve leva aumento de 2,2%, entretanto, considerando-se apenas os brancos, o aumento foi maior (+4,5%), enquanto os pardos tiveram um aumento menor que a média (+1,7%), e o rendimento dos que se declaravam pretos seguiu em queda (-1,7%).

Presença dos negros é maior entre os desempregados 

A Bahia é o quarto estado com maior percentual de população negra no país: 80,3%. Cerca de 12,3 milhões de baianos se declaram pretos ou pardos, numa população total de cerca de 15,3 milhões de pessoas. O líder é o Amapá (82,5%). A dificuldade de inserção dessa população negra no mercado de trabalho é visível através dos indicadores de desocupação. Historicamente, a taxa de desocupação dos negros é superior à dos brancos em todos os estados brasileiros.

No terceiro trimestre de 2017, a taxa de desocupação geral na Bahia foi de 16,7%, mas ela era de 12,9% para os brancos e de 17,5% para os negros, ou seja, o desemprego era maior para os negros que para os brancos. E, quando se compara o terceiro trimestre deste ano com o terceiro trimestre de 2016, embora a taxa suba na média, de 15,9% para 16,7%, na verdade ela tem uma leve queda entre os brancos (de 13,1% para 12,9%) e aumentou mesmo para os negros (de 16,5% para 17,5%).

A Bahia teve no terceiro trimestre de 2017 a segunda maior taxa de desocupação do país (16,7%), atrás apenas de Pernambuco (17,9%). Esse ranking se manteve quando se consideram apenas os negros, embora em ambos os estados a desocupação seja maior entre os negros que a média. Entretanto, quando se olham apenas os brancos, a taxa de desocupação na Bahia (12,9%) cai para a sexta mais alta entre os estados e fica já bem próxima da taxa nacional (12,4%).

No estado, a participação dos negros entre as pessoas que estão procurando trabalho (desocupados) também é maior que na população em geral, embora essa diferença seja menor que a média nacional. No estado, enquanto representam 80,3% da população em geral, os negros são 85,2% dos que estão procurando trabalho. No país, esses percentuais são, respectivamente, de 55,3% e 63,7%.


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