“Conceito de plano popular é bom”, diz diretora da BR Insurance

Camila: "O sistema de saúde está doente. A conta não fecha, e quem sai prejudicado é a população"

[dropcap]A[/dropcap] saúde pública no Brasil vai mal. Será que os planos de saúde populares podem melhorar o quadro? A diretora de Operações Benefícios da BR Insurance, Camila Von Muller, acredita que sim. “É uma iniciativa importante e imprescindível para o setor”, diz ela. Ela ressalta, no entanto, que a proposta precisa ser ajustada para que o modelo de cobertura seja, por exemplo, de corresponsabilidade, onde todos os envolvidos se responsabilizem por suas ações. A proposta do Ministério da Saúde visa diminuir a pressão sobre o SUS (Sistema Único de Saúde), repassando demanda para o setor privado a partir de convênios com preços mais acessíveis.

O que você acha de o governo cogitar o lançamento de um plano popular para a saúde?

É uma iniciativa importante e imprescindível para o setor. O Sistema Único de Saúde (SUS) não consegue atender toda a população de mais de 200 milhões de brasileiros. Desse total, apenas 45 milhões têm plano de saúde, o restante depende do sistema público, que não consegue suprir as demandas. Precisamos ter opções mais acessíveis para que as pessoas possam ter, pelo menos, o mínimo atendimento necessário para um tratamento.

O que esse plano precisa ter para dar certo?

O conceito de plano popular é bom, mas a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) precisa garantir que as regras não sejam alteradas no meio do caminho. A proposta precisa ser ajustada para que o modelo de cobertura seja, por exemplo, de corresponsabilidade, onde todos os envolvidos se responsabilizem por suas ações – paciente, médico, laboratórios e hospital. Esse é o caminho para o sucesso do plano popular.

Você acha que a proposta que está sendo apresentada é suficiente para atender as necessidades da população?

Ainda não tenho conhecimento de toda a proposta. Mas é necessário que as regras sejam claras e que seja permitido definir um modelo de atendimento e um rol de cobertura que não se altere. A judicialização é um obstáculo a essa proposta.

Por que o governo resolveu tratar deste tema agora?

Na realidade, já passou da hora. O sistema de saúde está doente. A conta não fecha, e quem sai prejudicado é a população. É preciso que todo o ecosistema trabalhe junto e esteja comprometido em mudar e fazer a sua parte para termos uso consciente do sistema de saúde. Todos têm um papel a desempenhar, inclusive os pacientes. Além disso, muitas pessoas deixaram de ter plano de saúde, ou por conta do desemprego, ou porque as empresas tiveram que cancelar o benefício em razão do difícil momento econômico dos últimos anos, e passaram a utilizar o sistema único de saúde, que já não tinha condições de atender a população atual.

Você acha que as seguradoras irão abraçar a ideia e desenhar planos neste modelo?

O conceito é bom, mas acredito que as operadoras serão bem conservadoras. Não vejo uma adesão imediata.

Esse plano popular teria algum limite de atendimento?

Esse plano deve ter um modelo de atendimento diferente. Não é só questão de diminuir rol de cobertura.

A regulamentação desse plano deve seguir as mesmas regras dos planos atuais?

É necessária uma regulamentação específica e atualizada, para que o novo modelo não sofra, por exemplo, com a judicialização, que tem causado grandes custo às operadoras e para que os clientes tenham seus direitos garantidos.

O que encarece os planos de saúde hoje?

Além das pessoas estarem vivendo mais (a idade aumenta o número de doenças crônicas e, consequentemente, o uso/sinistro), a judicialização e a tecnologia são dois itens que geram um grande custo para as operadoras. No primeiro caso, muitas vezes, os juízes dão ganho de causa para um cliente sem ter conhecimento profundo sobre o que estava acordado no contrato entre a operadora e o cliente. Já o avanço da tecnologia tem contribuído para que novas descobertas e procedimentos contribuam para melhores resultados nos tratamentos. No entanto, nem todo tratamento precisa das novas tecnologias, e o uso desnecessário acaba encarecendo os planos de saúde.

O que poderia ser feito para que os planos de saúde tenham reajustes menores?

Hoje, 20% do gasto com saúde é classificado como fraude ou desperdício. É necessário maior responsabilidade das partes envolvidas. Desde o cliente até a operadora, passando por médicos e laboratórios e a indústria.

Esses polos médicos de atendimento à saúde acessível serão concorrentes do plano popular para a saúde?

Não, são nichos diferentes e há espaço para os dois modelos.

Com o que você viu até agora, já é possível o plano popular entrar em funcionamento?

Acho que o ideal é o plano ser pilotado.

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