Economia baiana encolhe 5,2% no terceiro trimestre do ano

O principal destaque continua sendo a soja, responsável por 65% da produção de grãos no estado (Foto: Alberto Coutinho/GOVBA)

O Produto Interno Bruto (PIB) baiano recuou 5,2% no terceiro trimestre de 2016 em relação a igual período de 2015. Considerando a série com ajuste sazonal (3º trimestre de 2016 em comparação com o 2º trimestre de 2016), o resultado apresentou queda de 0,9%. A projeção para o ano de 2016, elaborada pelos técnicos da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), sinaliza retração de 4,5%.

A maior influência negativa no trimestre e em 2016 foi o setor agropecuário, que registrou queda de 20,7%. As grandes perdas na lavoura – soja (-28,8%), algodão (-33,6%), milho (-42,4%) – em decorrência da seca no estado, determinaram a queda significativa do setor agropecuário, impactando fortemente no conjunto da atividade econômica baiana.

O baixo crescimento no terceiro trimestre, ante mesmo período do ano anterior, é perceptível pela queda nos três grandes setores da economia baiana: agropecuária (-20,7%), indústria (–8,4%) e serviços (-2,9%), que resultou na retração de 5,1% do valor adicionado (VA). Outro fator determinante na variação negativa do PIB foi a retração dos Impostos sobre produtos (-6,2%).

Indústria

O setor industrial (-8,4%) também contribuiu na taxa negativa do PIB baiano. Nesse caso, observou-se contração em todas as atividades do setor, com destaque para o recuo da extrativa mineral (-18,7%), atrelado ao posicionamento da Petrobras em reduzir suas atividades de exploração de petróleo e gás na Bahia.

A produção e distribuição de energia elétrica, ao contrário do Brasil, registrou forte retração (-7,4%); esse movimento deveu-se, principalmente, ao nível de geração de energia a qual recuou 11% na Bahia, enquanto no Brasil houve crescimento de 8,2%. “Essa variação negativa é decorrente da baixa capacidade do lago de Sobradinho, que está com menos de 10% de capacidade, implicando na redução na vazão, o que impacta diretamente sobre o volume de energia produzido e, por conseguinte, sobre o PIB da Bahia”, explica João Paulo Caetano, coordenador de Contas Regionais e Finanças Públicas da SEI.

A construção civil apontou recuo de 7,5%, seguindo tendência nacional, a qual também é confirmado pela queda no nível de ocupação na atividade. Finalmente, a indústria de transformação retraiu 4,7% sendo fortemente impactada pelo baixo dinamismo da economia nacional e ainda pelo momento de incerteza tanto do empresariado quanto do consumidor acerca dos rumos da economia brasileira.

O comportamento do setor de serviços baiano (-2,9%) foi similar ao do Brasil (-2,2%), sendo seu desempenho determinado, em grande medida, pelo desempenho negativo do comércio. Na Bahia, esta atividade caiu 8,8% demonstrando que a atual crise tem afetado de forma significativa a capacidade de consumo das famílias baianas. Outro destaque negativo para o desempenho do setor foi a atividade de transportes, com retração de 10%.

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