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A situação favorável da indústria eólica pode ser explicada pela ótima qualidade dos ventos brasileiros e também pelo forte investimento das empresas  (Foto: Manu Dias/Secom)
A situação favorável da indústria eólica pode ser explicada pela ótima qualidade dos ventos brasileiros e também pelo forte investimento das empresas (Foto: Manu Dias/Secom)

Brasil acaba de alcançar a marca de 10 GW de energia eólica

O Brasil acaba de alcançar a emblemática marca de 10 GW de capacidade eólica instalada, distribuída em 400 parques e mais de 5.200 aerogeradores. Para se ter uma ideia, a usina de Belo Monte tem capacidade de pouco mais de 11 GW. No ano passado, a energia eólica abasteceu mensalmente uma população equivalente a todo o sul do País e gerou 41 mil postos de trabalho. Nos últimos seis anos, o investimento feito pelas empresas da cadeia produtiva de energia eólica, já 80% nacionalizada, foi de R$ 48 bilhões. Se contarmos de 1998 até hoje, já somamos cerca de R$ 60 bilhões investidos. Em 2015, a energia eólica foi a fonte que mais cresceu na matriz elétrica brasileira, responsável pela participação de 39,3% na expansão, seguida pela energia hidrelétrica (35,1%) e energia termelétrica (25,6%).

Esses são apenas alguns dados que mostram a vitalidade de um setor que tem se mostrado cada vez mais importante para o País, seja para ampliar a participação das energias renováveis na matriz elétrica brasileira ou ainda para contribuir com a retomada de crescimento brasileiro. O gráfico abaixo mostra a evolução da capacidade instalada e o que já está contratado com previsão de instalação até 2020. Com a realização de novos leilões, como o previsto para dezembro de 2016, mais capacidade deverá ser adicionada à curva abaixo para os próximos anos.

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Em termos mundiais, o Brasil tem se destacado. De acordo com o GWEC – Global World Energy Council, o Brasil foi o quarto país em crescimento de energia eólica no mundo em 2015, considerando os números de capacidade instalada, atrás da China, Estados Unidos e Alemanha e representando 4,3% do total de nova capacidade instalada no ano passado no mundo todo. Em percentual, foi o País que mais cresceu no mundo. De acordo com o “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2015”, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia em agosto de 2016, o Brasil subiu sete posições, nos últimos dois anos, ocupando hoje o oitavo lugar em geração, representando cerca de 3% de toda produção eólica mundial.

“A marca de 10 GW é certamente emblemática e vamos comemorar. O que nos motiva agora é trabalhar pelos próximos 10 GW. Hoje, a energia eólica representa 7% da matriz elétrica brasileira. Considerando o que já temos de contratos assinados, vamos chegar a 2020 com mais de 18 GW e temos potencial para crescer ainda muito mais. Para um País como o Brasil, com tantos recursos naturais abundantes e que tem um dos melhores ventos do mundo, considero ser um caminho não apenas natural, mas também estratégico, investir para ampliar a energia eólica. E, claro, temos que pensar nos compromissos que assumimos na COP-21 e as eólicas têm um papel muito importante para ajudar a atingir os objetivos, já que seu impacto ambiental de instalação é baixíssimo e o de operação é praticamente zero”, resume Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica.

Qualidade – A situação favorável da indústria eólica pode ser explicada pela ótima qualidade dos ventos brasileiros e também pelo forte investimento das empresas que, nos últimos cinco anos, construíram uma cadeia produtiva nacional para sustentar os compromissos assumidos e o enorme potencial de crescimento desta fonte de energia, que acreditamos ser o futuro. Os grandes fabricantes de aerogeradores, pás, torres e grandes componentes estão instalados no Brasil, produzindo e contratando aqui. Além disso, dezenas de empresas brasileiras foram criadas ou passaram a se dedicar para oferecer componentes para a cadeia produtiva.

“Em dezembro, teremos um momento muito importante para o setor neste ano: o Leilão de Reserva. A contratação de energia eólica neste leilão será vital para dar um sinal de investimento para toda a cadeia de energia eólica, formada recentemente e num investimento que já passa dos R$ 48 bilhões nos últimos seis anos. Os contratos que temos assinados sustentam a cadeia até 2020, como se vê no gráfico acima, mas é necessário fazer novas contratações para manter a cadeia ativa e o setor crescendo de forma sustentável”, explica Elbia.

O Leilão de Reserva também é um instrumento importante para planejamento estratégico do setor elétrico brasileiro considerando segurança do sistema. “Como a ABEEólica tem reafirmado em diversas ocasiões, a contratação pelo leilão de reserva se mostra essencial por questões de segurança energética. Embora exista um entendimento superficial de que há sobra de energia no sistema, já provamos que não há sobra suficiente. O que há são sobras de contrato, de papel, e não de garantia física. Quando se olha apenas a garantia física, o que pode ser efetivamente gerado, o que existe de sobra de garantia física seria rapidamente utilizado na inevitável retomada do crescimento econômico brasileiro. Também por este motivo, o leilão de dezembro será fundamental para o País. Historicamente, o Brasil alterna períodos de risco de racionamento e de discussão sobre falta de energia. Isso precisa acabar e os leilões de reserva são os instrumentos adequados para um melhor planejamento”, explica a executiva.

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