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Espécies como a leucena são usadas, na forma de feno ou silagem, para suplementar as dietas de animais nos períodos sem chuva (Foto: Adriana Brandão)
Espécies como a leucena são usadas, na forma de feno ou silagem, para suplementar as dietas de animais nos períodos sem chuva (Foto: Adriana Brandão)

Vegetação da caatinga tem potencial para alimentar rebanhos

AGÊNCIA EMBRAPA DE NOTÍCIAS

A despeito de sua aparência árida, a caatinga possui uma grande biodiversidade que abrange diversas espécies vegetais com potencial de alimentar rebanhos. A conclusão é de estudo da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) e pode auxiliar na orientação de criadores do semi-árido brasileiro. “São identificadas hoje na caatinga cerca de três mil espécies vegetais. Continentes como a Europa não possuem a diversidade deste bioma, que só existe no Brasil”, destaca a zootecnista Ana Clara Cavalante, pesquisadora da área de Forragicultura e Pastagens da Embrapa.

Com extensão aproximada de 900 mil quilômetros quadrados, o semiárido brasileiro é caracterizado por distribuição irregular de chuvas e ocorrência frequente de secas. Tais fatores climáticos são limitantes para a produção pecuária, mas o bioma caatinga possui diversidade de espécies vegetais, nativas ou adaptadas, que podem contribuir, de forma significativa para a alimentação dos rebanhos, seja como pastagem ou manejadas na forma de feno, silagem ou adicionadas nas rações. O aproveitamento desta biodiversidade pode ser garantido e otimizado por estratégias adequadas de manejo das chamadas forrageiras – plantas para consumo animal.

Com isso, os produtores rurais têm variedade de plantas com distintas características, seja as chamadas leguminosas (espécies mais ricas em proteínas), gramíneas (úteis para formação de áreas voltadas ao pastejo), cactáceas e outras opções como a palma forrageira. Algumas dessas espécies com melhor potencial forrageiro são as leguminosas gliricídia, leucena, sabiá e catingueira; gramíneas como os capins Buffel, Gramão, Massai, Tanzânia; cactáceas como xique-xique, mandacaru e palma forrageira.

Alimentos durante a seca – Algumas dessas espécies têm apresentado possibilidades de manejo para compor, inclusive, reservas de alimento para os períodos secos, uma das maiores necessidades nos sistemas de produção animal de uma região com chuvas irregulares. A leucena, por exemplo, originária da América Central e México, foi adaptada à pecuária de semiárido com sucesso, por sua adaptação às condições ambientais. Ela tem sido utilizada pelos produtores como suplementação na forma de feno e silagem, compondo reserva para suplementar as dietas de animais nos períodos sem chuva, quando os capins ficam mais pobres em proteínas.

Pesquisas da Embrapa indicam o bom potencial do feno de leucena para compor rações para caprinos, seja como suplemento ou como principal volumoso. Os ganhos de peso observados podem ser importantes para finalidades como a melhoria da qualidade da carne, pela antecipação na idade de abate dos animais.

Outra espécie que vem apresentando bom potencial em pesquisas da Embrapa é a catingueira. A planta tem sido usada por produtores na forma de feno da folhagem, como forma de suplementação. Experiências no Nordeste da Bahia verificaram a catingueira como importante fonte de alimentação tanto para rebanhos caprinos leiteiros, quanto para ovinos de corte.

As pesquisas registraram cabras produzindo até seis litros de leite por dia com o consumo do feno associado a palma e concentrados. No caso de ovinos, podem-se encontrar, em pleno período de seca, animais em fase de crescimento, criados em pasto nativo, com até seis meses de idade, apresentando conformação corporal adequada para abate, consumindo uma mistura do feno com milho em grão.

Eduardo dos Santos, produtor rural da cidade de Riachão do Jacuípe, relata o uso de feno de catingueira para alimentação de seus rebanhos de caprinos e ovinos há oito anos. Segundo ele, com ajuda desses recursos forrageiros para a nutrição, tem sido possível garantir regularidade na produção de leite e carne durante todo o ano, mesmo com um período de baixa intensidade de chuvas na região, que persiste desde 2010. “Há mais de 16 anos testamos variedades de forrageiras, valorizando o que temos na caatinga: catingueira, icó, aroeira, entre outras”, acrescenta.

Sabor especial na carnem – Já uma outra espécie, a faveleira, distribuída por quase toda a extensão do semiárido brasileiro, tem sido apontada, no saber popular, como um fator responsável por uma qualidade diferenciada da carne de cordeiros na região dos Inhamuns, no Ceará. Para os agricultores, é o consumo das folhas da faveleira que faz com que a carne dos ovinos na região tenha sabor único, hipótese que está sendo estudada em uma parceria da Embrapa, Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). “Se for comprovada a relação, poderá abrir caminho para termos um produto de indicação geográfica”, destaca Ana Clara Cavalcante.

Outras opções difundidas no semiárido atualmente são o cultivo de palma forrageira, espécie considerada de boa capacidade de adaptação, rusticidade e alta aceitação pelos animais, além das cactáceas nativas. A palma pode ser utilizada, inclusive, como fonte de água para os rebanhos durante a época seca do ano. Já as cactáceas, particularmente o xiquexique, o facheiro e o mandacaru, são também utilizadas no fornecimento de ração aos animais, apresentando bons desenvolvimentos em áreas de solos degradados.

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